Tão Forte, mas nem tanto.


Opinião

Por Caroline Araújo

 

Sabe aquela sensação de que diante de seus olhos, mesmo que visualmente belo, um filme esmorece até perder-se na imensidão de películas que poderiam ter sido algo mais, mas, morreram na praia¿ Stephen Daldry é um cineasta competente, isso todos já sabiam desde “Billy Eliot”, acho que exatamente por isso, sua mais nova incursão na direção, nos deixe uma sensação estranha, ao chegar ao fim, como se, não, não é um filme de Daldry.

“EXTREMELY LOUD AND INCREDIBLY CLOSE- Tão Forte e Tão perto” (2011) é inspirado no best seller homônimo de Jonathan Sfran Foer, narra as “desventuras”, assim podemos classificar, de um garoto nova yorkino cheio de fobias e extremamente inteligente e esperto chamado OSKAR, que acabara de perder seu pai no fatídico atentado das Torres Gêmeas. A história se passa em dois espaços tempo; pouco antes do referido desastre no ano de 2011 onde de forma emotiva somos levados para dentro da relação pai e filho de uma maneira ímpar, e exatamente um ano após o acontecido.

Antes de qualquer coisa, vale dizer que; de todos os filmes que abordaram o atentado ao World Trade Center, “Tão Forte e Tão perto” sem duvida alguma, mesmo sendo inevitáveis os clichês chorosos, foi o que melhor executou a empreitada. Entretanto, ai também está o grande problema da película de Daldry. É impossível, não marejar os olhos, ou sentir um soco na boca do estomago com o sofrimento de Oskar na tela. Thomas Horn dá vida a um garoto irritante, e de certa forma mimado, mas temos que dar o braço a torcer, decido em correr atrás das coisas, principalmente de tentar manter acessa a memória de seu pai, a quem idolatra de uma forma difícil até de vermos hoje em dia em relações de pai e filho. 95% do filme é Horn, ele segura integralmente a narrativa, seja em off ( o que ficou enfadonho e didático muitas vezes) seja interpretando. Em alguns momentos queria dar umas bofetadas nele.

Tom Hanks e Sandra Bullock são Thomas e Linda Shell, pais de Oskar. Apesar de protagonistas, são coadjuvantes devido à interpretação de Horn. Max Von Sydow, o inquilino misterioso que torna-se o personagem dinâmico que irá ajudar Oskar a de fato conseguir entender e começar a superar esse vazio da perda, é uma graciosa surpresa interpretativa. Acredito que junto com a participação da sempre precisa Viola Davis como Abby Black e da bela fotografia de Chris Menges, que de certa forma nos mostra uma etnografia de Nova York pulsante sejam os pontos altos do projeto.

Daldry consegue imprimir ritmo e fluidez na busca tresloucada de Oskar por uma resposta que possa apaziguar seu coração, entretanto, ele hesitou em permitir uma maior inventividade a narrativa, engessando num texto off monótono, em irritantes demonstrações da dor que o garoto e sua mãe sentiam, e na presença daquele pandeiro horrível que ele carrega para tudo quanto é lado. Uma lástima.

Contudo, se limparmos todos os excessos de lugares comuns praticados por Daldry, e focarmos na profundidade de sentimentos entre Oskar e Thomas, temos uma intensa e profunda lição de amor fraternal. Coisa muito rara nos filmes de hoje. Quem sabe, se de forma, mas delicada, e menos apelativa Daldry tivesse optado por esse viés, a potencialidade desta história teria sido bem extraída.

“Tão Forte e tão perto” recebeu duas indicações ao Oscar deste ano. Melhor Filme e Melhor ator Coadjuvante para Sydow. Apenas a segunda indicação era realmente merecida. Mas vale o exercício de assistir. E, com certeza, ainda vamos ouvir falar bastante em Thoma Horn. Eu mesma gastei alguns lencinhos ao final da sessão.

 

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