A EFEMERIDADE DOS ARTIFICIOS


Em cartaz

POR Caroline Araújo

Parafraseando Baudelaire, ou uma canção de Marina Lima, a questão é que o cineasta Marcus Prado, escolhe; ou melhor mergulha na gravidade de uma onda lisérgica como se fosse seu debut no universo ficcional. Assim, como Baudelaire escrevera, a coragem para engolir é essencial. Neste caso, fundamental.

“Paraísos Artificias” (2012) é antes de mais nada um recorte, TORTO, um tanto pudico, mesmo tento coragem para explorar cenas libidinosas e excitantes, mas no fundo, uma maré rasa; um perfume de carnaval ao léu.Erika (Natallia Dill) é uma DJ, cuja amiga Lara (Lívia Bueno) é uma espécie de personagem dinâmico que retroalimenta a sua zona de conforto. Nando (Luca Bianchi) é um garoto que se deixa ir pelas “falastrices” de um amigo, Patrick , e assim, como dezenas de outros garotos espalhados pelo mundo, deixa esvanecer por entre seus dedos entorpecidos, o mundo, o todo, a vida.

De forma quase que plástica, a fotografia INSPIRADÍSSIMA de Lula Carvalho transcende o roteiro chumbrega, e consegue como que alquimicamente aliado a elegância das escolhas de Prado, transpassar, as sensações alucinógenas, eufóricas, eróticas, de uma maneira estupenda. Poucos, frisos, POUCOS filmes, conseguem essa sinestesia por meio das imagens.

Tirando Dill e Roney Vilela que interpreta um estereótipo era de aquárius que NÃO DEVERIA estar ali, os demais atores, novos, surpreendem, conseguem manter certa autenticidade, porém não progridem, e não por demérito interpretativo, mas por falta de densidade textual, ineficiência literária de um roteiro que se equivoca e acovarda-se, mesmo depois de ter escancarados pernas, bocas, gemidos e pupilas.

È inverossímil a estória de amor que possa surgir entre Erika e Nando. Não pelo destino que teima em coloca-los entre encontros e desencontros, mas porque não se reencontra no meio da multidão, um cara que você tem uma história maior e anterior, você lembrando claramente dele, e ele nem te reconhecendo ao certo, e você simplesmente não conta a verdade que te move desde então.

Com inicio bebendo em “Bicho de Sete cabeças”, e algumas passagens fazendo alusão a “Medo e Delírio” só que sem a sagacidade de Johnny Deep, o que resta de fato é, perceber que mesmo com algo precário textualmente, Prado fez um bom filme.

Impecável tecnicamente, com a montagem acompanhando a fotografia e a edição de som de forma impecável. Uma produção redonda, triangulando localidades e tempos distintos e não lineares. Aplausos.

Não levantando bandeira, apenas expondo os fatos, Marcus joga a batata quente sobre a questão do consumo de drogas sintéticas no nosso colo de um jeito proposital. Faça você sua consideração, não eu. Esse movimento nos coloca no centro de uma sociedade hipócrita, amoral, e sem escrúpulos. Ora, se para encarar a vida, você precisa engolir carvão, que porcaria de vida é essa¿ que maravilha de mundo é esse¿ acontece que é muito mais fácil e prazeroso jogar-se na montanha russa ilusória dessa artificialidade, que do burilar no ardor do sol, algo que dure mais do que um set de Trance.

Essa é a questão. Seja natural ou artificial, você precisa engolir. Alice fez isso, nós fazemos isso. Contudo, o filme de Prado poderia não apenas deixa a plateia entumecida (as cenas de sexo são lindas, lascívias e excitantes) como também, efêmera. O recorte, mesmo torto mostra uma juventude vazia, pouco producente e sem grandes perspectivas. De efemeridade já basta nossos congressistas em Brasília.

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