A lenda que caminha


Opinião

Por Caroline Araújo

Quando um projeto cinematográfico se lança a aquarelar a história de um ícone, uma lenda, ou uma figura cuja passagem pela humanidade tenha sido tão transformadora, a tarefa torna-se árdua. Sempre árdua. Walter Carvalho, um dos cineastas mais consagrados do Brasil fez isso.

“RAUL, O Início o fim e o Meio”(2012) co – dirigido com Leonardo Gudel e Evaldo Mocarzel é um filme que mostra a potencialidade de uma pesquisa bem feita; mas que contudo não o turbilhão de entrevistados, na minha humilde visão, ajudam a reforçar o embaralhado de cartas que poderia vir a gerar uma maior compreensão de “Quem diabos foi esse cara?”

Ao mesmo tempo em que o desvelar desse “cara” ia sendo tecido pelos diversos personagens que pertenciam aos inúmeros grupos que passaram pela sua vida, Walter explora uma dramatização emotiva que em alguns locais ficou perfeitamente bem colocada, como a ida do Amigo de infância ao Clube do Elvis, ou em outras, perfeitamente desnecessária com a fala da filha que teve com Kika e a tal lamentando.. “deletável”!

Mas, a grande força, talvez seja a participação de Paulo Coelho, que totalmente politico, fala de sua relação com Raul com certo distanciamento, mas é inevitável percebermos o quão isso o inquieta ainda hoje. A magnitude de Raul é impossível de condensar em uma película, livro, impossível de engarrafar. Creio que poucos ícones nacionais, independente de vertente cultural, sejam tão intensos e desapegados, sejam livres e preguem essa liberdade de alma como Raul ousou fazer. Além de seu tempo, de seus parceiros de seus amigos.

A total incitação de que somos uma espécie de mundo, indecifrável, e constantemente mutável. A admiração de Caetano Veloso confesso que me surpreendeu e me fez até mesmo, gostar mais, do Caetano.rs

Enquanto assistia o filme, outra figura emblemática de nossa musica, Arnaldo Batista que recentemente também teve um filme sobre sua vida feito pelo Canal Brasil, o excelente “LOKI”. Digo isso porque, eu pensava: “caramba, qualquer pessoa que queira ser musico, ter uma banda, viver de cultura DEVE assistir a vida desses caras.” Principalmente, porque eles são nossos heróis, já que enfiam goela a baixo o futebol e samba como identidades nacionais, eis que, dentro do ROCK, essa coisa que é complicada de definir, mas que arrasta legiões ao redor do globo, aqui na terra tupiniquim, temos caras que foram referencias para dentro de para fora de nossos territórios. E, a maioria da população, desconhece inteiramente.

De maneira geral, o filme de Walter é bom, não ótimo. A atmosfera é muito densa para digerir. Mas isso não tira o brilho ou mérito da empreitada. E essa valoração é minha, pessoal. A impermanência de Raul, de fato encanta, pois sua originalidade é uma banana na cara dessa sociedade hipócrita que reina. Esse cara conseguiu ainda menino, entrar num universo único, e quis dividir isso com as pessoas.

Suas letras, suas posições são transcendentais, e vão continuar gerando sósias, outras biografias, séries e outras ações. Realmente ele conseguiu ser a metamorfose ambulante, um cara que certamente nasceu 10 mil anos antes do seu tempo e que vestiu as roupas da contra cultura e mostrou a todos que o poder de qualquer caminho e escolha, esta dentro de você e a forma como você o tem como verdade. E como disse Paulo, “Raul é uma lenda.” E as lendas nunca morrem.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s