NA TEIA DAS NOVAS RELEITURAS DOS SUPER HERÓIS

 

Opinião

 

Por Caroline Araújo

 

Devido a uma correria desenfreada, um atraso básico no post fez-se necessário. Mas estamos aqui marcando presença, lógico. Toda abertura do verão “americano”, ano após ano é recheada de expectativas cinematográficas, principalmente os blockbusters que atolam as salas de cinema. Impreterivelmente 2012 é um ano onde essas “expectativas” estão na mais alta cotação, devido a dois grandes ícones do universo de contra cultura, que possuem uma legião de fãs ao redor do globo. O primeiro deles chegou no inicio de julho e com um bom burburinho.

“The Amazing Spiderman – O Espetacular Homem – Aranha” (2012) dirigido por Marc Webb (“500 dias com Ela”), não vem apagar ou tentar ser “melhor” que a trilogia recente do aracnídeo , mas, proporcionar um desmistificar o herói, na tentativa de mostrar o quanto homem e tangível a imperfeição tipicamente humana ele é.

Na história, Peter Park, o nerd absorto nas fotografias, ganha corpo graças a uma interpretação inspirada de Andrew Garfield. Sofredor de bulling, sem namorada, mantendo uma paixão a distância da filha do capitão de polícia, sem amigos, abandonado de certa maneira pelos pais numa situação que ainda reverbera dentro de si, de repente ganha poderes, ou melhor, perícias físicas, graças a uma “picada” de aranha radioativa.

Seu universo vira literalmente vira de ponta cabeça. Suas atitudes, suas emoções. TUDO. Nosso Peter Parker, há 50 anos representa muito bem todos os anseios e medos de gerações de adolescente do mundo, da mesma forma que alimenta nesses adolescentes ganas de mudanças. Ele não é um coitado, e sim um herói, desde o inicio de sua caminhada.

O novo filme do herói das teias acerta na escolha dos atores e na proporção de suas interpretações. Garfield, parece que nasceu para dar vida ao Aranha. A queridinha da América Emma Stone, trás outra luz para Gwen Stacy, e Martin Sheen como tio Ben, rouba vários momentos. Webb soube como ninguém extrair o tom certo deles, trazendo uma humanidade e verossimilhança surpreendente.

Contudo, o roteiro remendado de Alvin Sargent, James Vanderbilt e Steve Kloves é o calcanhar de aquiles, acaba arrastando a história, engessando algumas ações que poderiam ser mais dinâmicas, e sendo com certeza um freio de mão para que pudéssemos dar um ótimo para essa nova versão “aranhistica”. Entretanto, bons efeitos especiais, boa engeria de som e trilha, ajudam a disfarçar o titanic.

Ficamos no aguarde do próximo sorrisinho maroto deste velho, porém novo, conhecido amigo da justiça dos HQ’s. Boa sessão. Ah! E não precisa assistir a versão 3D.

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Desejo, Palavras e Loucura.

Dica Vídeo locadora

Por Caroline Araújo

Filmes que trabalham as questões de sanidade mental, aliado , ou, com um fundo onde a utilização de entorpecentes e alucinógenos, como potencializadores, a gente tem algumas fileiras de prateleiras. A grande sacada é buscar uma faceta diferente que motive uma história.

“Ópium: Diária de uma Louca” (2007), uma produção húngara – alemã dirigida por János Szász, não apenas apropria-se da questão esquizofrênica, como pincela libidinosamente os limites entre a sanidade e esquizofrenia, numa explosão de olhos esbugalhados que adentram as retinas reforçadamente devido ao trabalho de edição do som extremamente meticuloso.

A narrativa transcorre no inicio do século XX, na Hungria, onde o escritor e médico viciado em morfina; Josef Brenner, incapaz de escrever uma única linha, sofre de um bloqueio mental que o aterroriza, e caba indo trabalhar em uma instituição a lá técnicas medievais, na tentativa de utilizar seus novos métodos de psiquiatria.

Lá, depara-se com uma paciente plácida, esquizofrênica, dominada e assombrada obsessivamente pela compulsão de escrita e por ser “tentada” a ser uma das putas de satã, como ela mesma vocifera. Instigado, Brenner passa a trabalhar a paciente, o que acaba gerando uma tensão sexual que ao mesmo tempo que instiga, afasta Brenner de si mesmo.

Fotograficamente difuso, com planos contemplativos lindos. A Atuação perfeita da Kirsti Stubø no papel de Gizella, a jovem atormentada, é algo sublime. Roteiro denso, extremamente filosófico, trabalha no pano de fundo a ética e apropriação, e principalmente, o reflexo humano de auto -defesa e a sua crueldade em salvaguardar sua pele, ao invés de assumir os erros.

O ponto principal, é que se trata de uma produção fora de padrões comerciais, pouco vista, mas extremamente premiada, com grandes momentos, embora a montagem tenha deixado um tando morosa a narrativa, sendo um ponto negativo. Contudo, a intensidade do desejo que arde nos personagens, transpassa a tela. Assistir acompanhado é uma dica.

Scrat FOREVER!!!!!

Em cartaz

POR Caroline Araújo

O quarto episódio da saga que trata sobre a extinção de boa parte dos animais que já passou pela superfície terrestre aportou neste final de semana nas salas de cinema do Brasil. Sem grandes surpresas, e sem o mesmo brilho dos filmes que o precede, “A ERA do GELO 4”,faz graça, coloca personagens novos, adentra o universo adolescente e suas descobertas, mas assim como alguns de seus personagens, nada para arrebentar na areia mais próxima.

Carlos Saldanha, desta vez não assina a direção que fica a cargo de Steve Martino e Michael Thurmeier que fazem um trabalho mediano, mas avalio que a rasura do roteiro trabalhado seja o problema dessa vez.

Os conflitos da família do mamute Manny, até tentam deslizar, mas enfraquecem-se rapidamente. Diego agora tem o coração palpitante, e Sid ganha outro de sua espécie como se fosse o prelúdio de uma quinta versão aonde a família nem um pouco usual vai se formando desse bando de espécies diferentes. Temos dessa vez até uma baleia.

Fofinho. Lógico. Vai cair no gosto infantil. Já o adolescente, não compra. Tive a impressão de que foi uma forçada de barra tremenda para dar continuidade a franquia. Uma pena. Pois, a beleza e iniquidade do primeiro filme acabam sendo gasta por continuidades rasas e sem motivo. Já vimos isso em Batman na década de 90.

Fiquei tão frustrada, mesmo gargalhando e rindo das piadas bobas de Sid, que ao final, a única coisa que lembrava era do Scrat que cada vez mais é o grande trunfo dessa odisseia gelada. Ah sim, o curta que passa antes vale chegar on time. E nos mostra que esta passando da hora da lei do curta vigorar no Brasil. Só que ao invés de passar curta estrangeiro, vamos passar os brasileiros?