THE HOBBIT | PART 01


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Opinião

por Caroline Araújo

 

Após duas longas sessões, reviravoltas, gigantes de pedra e muitos anões, os nove anos que separaram o ultimo filme inspirado na obra de J.R.R. Tolkein desta nova imersão cinematográfica que aportou no inicio de dezembro nas salas de cinema, se tornou meu objeto de análise. Precisei criar certa distancia, justamente para, com os olhos além dos de fã, poder de forma justa destacar alguns pontos. Mudanças de diretor, problemas com direitos autorais, membros da equipe que saíram no meio do caminho, entre outras situações adversas, nada impediu que mais uma vez Peter Jackson brindasse o mundo com o universo único que tão habilmente materializou no inicio deste século com a trilogia “The Lord of the Ring”.

The Hobbit: An Unexpected Journey

“The Hobbit – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” (2012) dirigido por Peter,é a primeira parte da saga de Bilbo (Ian Holm\Martin Freeman) que culmina exatamente no encontro deste com o poderoso anel de Sauron que antecede a trilogia já filmada por Peter. Ao contrário dos livros dos “anéis”, o Hobbit é uma espécie de romance – aventura, com uma leveza e ingenuidade que neste novo filme de Sr. Jackson acabou ganhando contornos mais sombrios. Uma boa dose de expectativa abocanhou fãs ao redor do globo, principalmente pela opção da produção em não realizar apenas um filme, mas sim uma nova trilogia, na tentativa de emplacar mais uma franquia de sucessos.

THE HOBBIT: AN UNEXPECTED JOURNEY

Aqui faço a primeira observação. Diferente da primeira produção inspirada no texto de Tolkien no qual a força motriz estava na obra do autor e sua minuciosa adaptação feita pela produção; fato este que resultou num fenômeno de franquia cinematográfica e tecnológica abrindo novas possibilidades ao universo do cinema, “The Hobbit” aposta a força ao inverso. Temos claramente uma opção “franquiada” ao invés do peso e preciosidade da literatura. E isso, aos meus olhos, enfraquece a película, uma vez que para se ter uma nova trilogia, alongou-se em demasia, e transformou algumas passagens em verdadeiras ações a  lá “ estética Playstation”. Prova disso é a incursão de ações inexistentes, como a reunião com Saruman (Christopher Lee), Galadriel (Cate Blanchett) e Elrond (Hugo Weaving), como forma a colocar personagens da trilogia passada para validar e fidelizar esta nova empreitada e criar uma hexalogia. Justificável. Porém com controvérsias.

THE HOBBIT: AN UNEXPECTED JOURNEY

Da mesma maneira senti certa necessidade na feitura de um “novo Aragorn”, neste filme pousando sobre os ombros de carvalho do príncipe anão Thorin (Richard Armitage) que acabou taciturnamente brindando-nos com uma boa atuação. E não me agradou a forma como Radagast (Sylvester McCoy), acabou sendo inferiorizado pela escolha de certas falas lisérgicas e sua própria caracterização. Uma pena.

The Hobbit: An Unexpected Journey

O acerto mais que primoroso foi à escolha de Freeman para o jovem Bilbo. Perfeito! E o tão esperado encontro com Gollum foi uma das mais belas passagens desta primeira parte. Os olhos de bolita saltitavam na tela com tanta veracidade. Bela cena. O roteiro feito á algumas mãos, por Guilermo del Toro, Peter Jackson, Fran Walsh e Philipa Boyens, talvez precisa-se ser burilado, mas de uma maneira geral acerta, pois conseguiu transformar a aventura do tio de Frodo em um filme recheado de ação, mesmo que em demasia. E de quebra lança nova ousadia no mercado cinematográfico ao optar por filmar tudo em 3D em 48 quadros por segundo com a RED Epic, fato notável e com uma direção de arte que dá um show a parte em conjunto com fotografia de Andrew Lesnie que abunda a tela de uma grandiosidade ótica incrível.

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A ludicidade contida na obra original, se tivesse sido a diretriz, absolutamente, teria com leveza tornado o filme mais palatável, pois, os 169 minutos pesam e nos deixam com a sensação de urgência do fim. Mais uma pena.

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De qualquer forma, Peter mostra que sabe onde pisa e onde quer chegar e vale cada voto de confiança de fãs, velhos ou novos, que juntos irão aguardar mais dois longos anos para poder contemplar a obra em fim. Só espero que os detalhes que passaram do ponto e as gorduras extras desta primeira parte consigam ter uma dieta. There and back again… Always!

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