OS PSYCO DO MOMENTO

colin-farrell-seven-psychopaths-movie-600x320

 

 

Opinião

Por Caroline Araújo

 

Metalinguagem. Existem inúmeros filmes que habilmente utilizam a metalinguagem a favor da potencialização de suas histórias. E na outra mão existe um contingente de filmes que se afogam na praia justamente por conta dela. O londrino Martin McDonagh faz sua segunda incursão no universo cinematográfico tendo a metalinguagem como elemento mordaz de sua película. E justamente por isso, perde a possibilidade de transforma uma história mediana em algo realmente muito bom.

seven-psychopaths-img03

“Seven Psycopaths – Sete Psicopatas e um Shitzu” (2012) que esteve rapidamente em cartaz nos faz lembrar uma mistura estilística cunhada por Tarantino e Guy Ritchie em seus melhores trabalhos, porém, ao contrario dos dois outros diretores, a demasia de clichês e um tom a mais nas atuações pecam pelo excesso. Um roteirista alcoólatra que conta com a ajuda de seu amigo, ator e sequestrador de cachorros para desbloquear a mente e conseguir finalizar um roteiro sobre sete tipos de psicopatas que logicamente dá nome a película. Sacadinha!!!

seven-psychopaths-movie-image-27

Um mafioso que nutre um amor incondicional por seu cãozinho, o tal Shitzu no titulo, violência gratuita e sem mais nem menos, um psicopata que simplesmente deixa valeste em seus mortos, pessoas com câncer, estereótipos de lunáticos e por ai vai.. tudo desalinhado, muitos fios soltos numa narrativa que não consegue encontrar o cerne do espectador, fazendo com que facilmente perca-se o interesse, olhe no relógio esperando a hora de sair da sala de cinema. E as atuações, estão tons acima ou abaixo. Uma verdadeira salada tropical.

seven-psychopaths4

Uma das coisas positivas é a bela paisagem de Los Angeles que é explorada em tomadas contemplativas e iluminada. Além é claro das questões sobre catarse e racismo bem pontuadas. Contudo, deixa um saldo de podia ter sido melhor. Pelo menos o Shitzu é bastante simpático.

psycho killer q'uest que ce

Anúncios

O Fantástico encanto da Incomensurável fantasia.

As-Aventuras-de-Pi

 

Em cartaz

Por Caroline Araújo

 

Ang Lee sempre nos brindou com um transbordamento cinematográfico em seus filmes. De maneira delicada, e quase que cirúrgica este diretor asiático, consegue como pouco, extrair dos planos, algo além das imagens ali produzidas. Em dezembro passado, aportou pelas salas tupiniquins seu mais novo trabalho que ao contrário de algumas previsões, estourou as bilheterias ao redor do globo.

aventuras-pi

“Life of PI – As Aventuras de PI” (2012) roteirizado por David Magee inspirado no livro do escrito Yann Martel que se inspirou para escrever essa história no livro “Max e os Felinos” do escritor brasileiro Moacyr Scliar publicado em 1981. No filme, temos a historia de Piscine Molitor Patel (Suraja Sharma quando jovem) nosso PI, uma garoto indiano que cresceu num zoológico administrado por seu pai, que quando este percebe que a politica de seu país tente a ficar complicada, decide mudar-se com a família para o Canadá. Mas para isso, levará os animais de seu zoo para serem vendidos a outros zoo’s da América que já se mostraram interessados, e assim com o dinheiro, poder começar uma nova vida neste outro país.

LIFEOFPI-2

Claro, que tudo não ocorre assim. Devido a uma tempestade, o navio cargueiro onde todos, família e animais viajam, sofre um naufrágio e todos morrem menos PI, uma zebra com sua perna quebrada, uma mamãe macaco uma hiena feroz e louca e um lindo Tigre de bengala chamado Richard Parker. Alguns acontecimentos a partir deste ponto são óbvios. Os animais assustados e acuados em um barquinho salva vidas, irracionalmente, matam um ao outro, restando PI e o TIGRE, que a propósito não é manso, claro.

As-Aventuras-de-Pi-16Nov2012_02

A jornada deste ponto em diante, torna-se uma construção imagética digna de Salvador Dali, com uma fotográfica que transcende uma beleza surreal, como se aquele mar, aquele céu fossem oníricos. O que casa muito bem com a trama da história que aborda as questões religiosas, de fé, crença, e Deus em lindos momentos de reflexão. Contudo, existe certa demora (típica de Lee) para que a ação engrene, e isso é um demérito na força da narrativa.

Life-of-Pi-5

Discussões religiosas, relações familiares, instinto de sobrevivência, trabalho de tolerância, de entrega e inclusive de persistência e de crença. Junte tudo isso no caldeirão de Lee e acrescente inclusive uma bela ilha carnívora cuja forma nos remete a deus indiano Vishnu deitado. Ang não se furta de filosofar, de nos brindar com um céu estrelado de incalculável singeleza.parafraseando o próprio PI adulto: “A fé é uma casa de muitos quartos”.

As-Aventuras-de-Pi-24Out2012_07

As comparações ao “Naufrago” de Tom Hanks e sr. Wilson é inevitável pelo falto de ambos os filmes terem personagens de ficam a deriva seja numa ilha seja num barquinho. Contudo, deixando o drama humano do filme de Hanks, este, nos mostra que mesmo num tempo onde a maior parte dos filmes gire em torno de violência, horror, bombas, drogas, sexo e coisas do gênero, ainda EXISTE espaço para fábulas que acalentam o coração. Sempre irão existir.

as-aventuras-de-pi2

De Forma, medicamentosa, Lee acalentou vários corações com sua poesia em tela, e o melhor, sem restrição de faixa etária. Vale mencionar que há anos Hollywood tentava infrutiferamente adaptar este livro para as telas e vários diretores de diferentes nacionalidades entraram e saíram do projeto, vindo cair e ser concretizado no colo desse chines. Indicado ao Globo de Ouro de melhor, Drama, Direção( com aplausos) e trilha musical e forte candidato ao Oscar deste ano.  Sem contar a magistral competência dos efeitos visuais que possibilitaram esse infinto horizonte sem palavras. Assistam em 3D, vale muito a pena. Boa sessão!

As-Aventuras-de-Pi-16Nov2012_04

O Cinema catástrofe nunca sai da moda

the-impossible-movie-poster

Opinião

Por Caroline Araújo

Geralmente quando nos deparamos entrando num cinema para assistir a um filme cujo cerne dramático da história seja baseado em histórias reais é quase uma faca de dois gumes. OU naufraga em clichês desnecessários ou dá muito certo mais do que qualquer ficção. Ao sair da sala após a exibição do novo filme do diretor espanhol Juan Atonio Bayona, um pot-pourri de impressões começavam a dar coro a um silencio que vinha na algibeira.

Ewan-McGregor-Naomi-Watts-The-Impossible

“The Impossible – O Impossível” (2012) trabalha a história de uma família espanhola, um casal e seus 3 filhos homens,  financeiramente estável que resolve passar as férias e festas de final de ano de 2004 numa praia paradisíaca da costa da Tailândia. Acontece que, tchan tchã ran ran, um tsunami abate-se sobre toda a costa asiática logo após o Natal, devastando tudo e mais um pouco e principalmente separando essa família.

the-impossible1

Na história, o casal em questão é protagonizado por Ewan McGregor e Naomi Watts, rostos conhecidos e que garantem publico, e nos brindam com atuações competentes. Watts se sobressai imensamente na pela da mãe e médica Maria,o roteiro neste caso permitiu que ela pudesse adensar a personagem. E Juan soube extrair da atriz um ótimo trabalho.

7828646424_8b3ebd396e_o

“The Impossible” é um filme duro, com imagens duras. A direção  traz até você, ou melhor, leva você através de cenas de grande impacto visual, que vão provocar as mais diversas reações no público. Incomodar, principalmente.  Algumas vão até chocar pelo leve flerte com o cinema trash, porém, elas são interessantíssimas na construção da narrativa que tenta “fisgar” e manter o espectador dentro daquele universo de águas barrentas, terras devastadas e famílias despedaçadas.

The-Impossible-03set2012-03

Tecnicamente o filme esta preciso. Excelente som, ótima fotografia e enquadramento que nos colocam dentro de varias imagens. Bom trabalho de atores, as crianças são ótimas, não podemos esquecer. Contudo, a ligação de tudo, com a intenção marcadíssima de fazer o publico verter lágrimas, é muito caricata e força passagem do liquido lacrimal. Confesso, chorei em uns pontos, mas era Impossible, ficar out. Talvez, se Bayona, não tivesse optado por essa linha sentimental por demais e deixado com que a dureza das cenas criasse por si a atmosfera, o arco dramático trabalhado seria muito mais real, e muito mais latente, inclusive acentuando o poder da própria história.

the-impossible05

De qualquer forma, temos um filme catástrofe que não foi feito no eixo EUA (Viva), com bons efeitos, enredo e atuações. Uma boa equação, com algumas gorduras que faz perder um pouco a força. Contudo, vale sim, o ingresso. Boa sessão.