AS SUTILEZAS INDIGESTAS DE UMA FAMÍLIA


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Opinião

Por Caroline Araújo

Adaptações. Quando são feitas de grandes obras da literatura ou do teatro, vencedoras de prêmios, vendedoras de livros e ingressos sempre chegam ao cinema cercado de grandes expectativas em torno do corpo que lhe fora esculpido para ganhar a telona. Quando junta-se a isso nomes de peso do cinema mundial, dobra-se a responsabilidade. O texto de Tracy Letts, inicialmente feito para o teatro e que fora produzido recentemente para o cinema é uma junção de equações densas. Diálogos pesados, personagens brutalmente esmagados pelas agruras de relacionamentos familiares, paisagens inóspitas em um verão escaldante no extremo oeste dos Estados Unidos, e um elenco não só de estrelas.

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AUGUST: OSAGE CONTRY” traduzido como “ÁLBUM DE FAMÍLIA” (2013) dirigido pelo ainda desconhecido diretor John Wells (“A grande Virada”) nos mostra como em alguns momentos a frase de T.S. Eliot se faz verdadeira: “A Vida é muito Longa”. A direção conduz o filme a nos mostrar a questão do tempo e sua incomensurável dureza, atropelando os seres sem que nada possa simplesmente detê-lo. O tempo é o fator incontrolável. Cedo ou tarde verdades e mentiras surgem frente aos que se negavam encarar.

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Sean Shepard interpreta Beverly Weston, patriarca de uma família tipicamente americana, formada na Grande Geração que sobreviveu a grande depressão e guerras com o lema de fazer a coisa certa – trabalho e família acima de tudo. De repente ele some misteriosamente e obriga sua moribunda esposa, Violet Weston (Meryl Streep) a buscar reunir suas filhas e familiares na tentativa de explicações e consolações pelo sumiço do esposo.

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Este acontecimento é apenas o estopim, para que ressentimentos esmagados pelo silencio e distância, venham a tona e sejam vomitados de forma visceral. Pesado. Extremamente sombrio e doído. Não é de longe um filme fácil, e muito menos uma comédia, como se encontra classificado. Streep interpreta uma mulher tão doente e ressequida, absurdamente dura, tal qual as pradarias da Oklahoma que vive. Julia Roberts dá vida a Barb, sua filha mais velha, e a única que bate de frente com a voracidade da mãe, produzindo cenas tão pesadas que é impossível ficar impávido ao que se assisti.

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O grande nó torna-se a direção, que arrasta alguns desfechos, ou opta por caminhos longos para se chegar a pontos que seriam melhores trabalhados de forma direta. Mesmo assim, o elenco inspirado, produz um filme que nos mostra o poder de bons textos e personagens quando bons atores se entregam a fazer. Na temporada de prêmios que se vislumbra, indicações não faltarão.

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