O LABIRINTO SEM SAL


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Por Caroline Araújo

A avalanche de adaptações literárias, sobretudo, as aventuras fantásticas que ulularam na primeira década deste século, onde personagens extremamente jovens detinham o posto de destaque das películas que chegavam as telonas, deixou pouquíssimos espécies de narrativas surpreendentes. Na grande maioria, engrossaram apenas a coqueluche de se estabelecer novas franquias de filmes para aumentar a conta bancaria dos grandes estúdios.

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“MAZE RUNNER – Correr ou Morrer” dirigido pelo iniciante Wes Ball, chegou aos cinemas brazucas recentemente e entra para as estatísticas de um produto que poderia ter ido além, mas preferiu manter o papai mamãe usual. Trata-se da adaptação para o cinema do romance futurista de James Dasher, onde uma espécie de “garotos perdidos e desmemoriados” encontram um meio de sobreviver em uma clareira cercada de altíssimas muralhas que abrem e fecham todos os dias e dão passagem à um labirinto até então intransponível e indecifrável.

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A escolha narrativa peca. Tenta explorar o não desvelar dos fatos para criar uma conexão com o espectador tentando imprimir certa curiosidade, que no início, funciona. O cenário pós – apocalíptico remete aos recentes filmes juvenis em que de forma abrupta e aparentemente inexplicável jovens são obrigados a aprender a serem adultos em um formato de reality show de sobrevivência. Contudo, com o passar do filme e das ações que desenrolam, é inevitável perguntar porque diabos esses garotos continuam a viver ali, numa sociedade “paralela” sem de fato lutarem contra o bendito labirinto e vazarem para casa? É ai que nosso protagonista Thomas (Dylan O’Brien) acaba funcionando ( mesmo com ar de modelinho ator) inclusive como personagem dinâmico, trazendo a curiosidade para dentro da tela, mudando a estrutura daquela sociedade de garotos e provocando ações.

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Poderia ter surtido ótimos momentos, mas a falta de pegada da direção joga um balde de água fria em todo o processo. Dylan é um protagonista dedicado e se esforça para encabeçar a trumpe, mas não podemos dizer o mesmo dos demais garotos escalados, apáticos, chatos e que não convencem. A todo instante existe uma tentativa de passar certo terror ao espectador para que ele sinta o desconforto do ambiente hostil que se apresenta na tela, mas é muito aquém. As cenas de ação que deveriam ser o ponto chave para fisgar quem assisti, estão perdidas igual cego em tiroteio de efeitos visuais na escuridão noturna que o diretor imprimiu. O bendito “Maze”, o labirinto não é tão assustador, muito menos claustrofóbico ou colossal.

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Com o decorrer na narrativa, e os fatos sendo colados como um quebra cabeça, fica uma sensação de explicação, pois, por mais vasto e grandioso que as tomadas dos planos aéreos tentam mostrar que aquele pesadelo de fato era para esses garotos, é umbilical a relação do cenário com seus personagens, para que possamos entender o conflito que se encena; e sinceramente, a pimenta que dá o toque final no prato, fica faltando, pois não existe uma justificativa realmente palpável para esse mundo e essa tortura que foi mostrada. Apenas um novo espécime de filmes, que jogam as cartas para fazer continuações.

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