A Majestosidade da Imagem Movimento


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Temporada de Prêmiações

em cartaz por Caroline Araújo

Em alguns momentos somos obrigado a entrar numa espécie de “resguardo”; parar tudo, mudar rumos, e nos adaptar a novos desafios e obrigações que surgem. Foi exatamente isso que me aconteceu. O final da minha gestação e o nascimento de meu filho foram um tanto emocionalmente conturbados que levei praticamente 01 (um) ano para segurar as rédias da minha vida. E nesse turbilhão, infelizmente, alguns afazeres precisam parar. Esse um ano em que parei de praticar a escrita critica cinematográfica por mim tão apreciada foi difícil. Contudo, mais difícil era ordenar as coisas para retomar. Mas; como assim como nos filmes e nas placas tectônicas – as coisas entram nos eixos – eis me aqui ( eba!) para retomar esse canal que tanto estimo e prezo.

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“The Revenant – O Regresso (2015)” dirigido pelo ON TOP do momento o mexicano Alejandro González Iñárritu é uma experiencia de construção de imagem forte, visceral, contemplativa e ao mesmo tempo humanamente solitária. Sua câmera selvagem nos coloca homens que são projéteis desgovernados à mercê da hostilidade do clima, relevo, dos animais daquele confim do mundo onde o recorte narrativo se desenvolve. Mas, acima disso, eles estão a mercê dos animais – nativos ou dos homens (brancos ou índios) – que querem apenas uma coisa: Sobreviver.

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Iñárritu sempre buscou em seus trabalhos tecer uma atmosfera dramática onde pudesse versar sobre a força real de suas histórias. Seu percurso até este momento é claro. Entretanto, quando disse em uma das inúmeras entrevistas que vem dando que seu filme não é um faroeste ( o que muitos continuam a afirmar)  porque  segundo ele “o problema com gêneros é que eles vêm da palavra ‘genérico'”, Iñárritu  deixou evidente o que norteia seu cinema: a crença numa experiência transcendental não como uma consequência dos filmes mas como um ponto de partida. Ai tudo faz mais sentido.

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Trabalhando com o premiadíssimo e competente diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, a figurinista Jacqueline West e o desenhista de produção Jack Fisk – Iñárritu permite produzir um trabalho filosófico sobre a construção da imagem movimento (Deleuze) no mesmo viés que Terrence Malick vem escrevendo sua filmografia nas ultimas décadas. Alias, Emmanuel, West e Fisk são braços direito de Malick em seus filmes, o que atesta ainda mais essa ligação cognitiva.

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A questão é, faroeste ou não, temos um filme cru, primitivo e natural. E mesmo com uma mão pesada na direção – são 156 minutos que poderiam ter sido cortados antes – temos dois pontos altos que fazem “The Revenant” ter todo esse lusco fusco sulfúrico borbulhante que explode aos olhos do espectador: o elenco e Emmanuel.

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Lubezki faz um trabalho com tanta maestria que a beleza estética é algo a parte nesse filme. Totalmente feito com luz natural ( sim, pasmem), temos uma definição de imagem absurdas, captadas com perfeição onde Emmanuel vai ao limite. Os quadros (planos) compostos são cheios de significado. A grande angular engole a todo instante quem assisti. A densidade da natureza, florestas inundadas, barreiras naturais que o homem se lançou (e lança) a ultrapassar. A desolação da solidão de grandes paisagens. Ela , ali, pura e simples tão mais grandiose que qualquer homem jamais será. O tempo inteiro temos os personagens no execrável exercício de olho por olho entre si, mas na verdade, eles são levados ao extreme de seus instintos primitivos porque a natureza selvagem os testa. Os perturba.

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O Elenco. Bem, Tom “Monstro” Hardy desponta cada vez mais como um ator de alto nível – está nos dois melhores filmes comerciais do ano, coadjuvante em ambos, é verdade, mas não menos marcante -, dono de uma voz inconfundível e um olhar que sempre fala muito mais do que pode parecer a primeira vista e sem ele Leonardo “Monstro”Di Caprio não teria o personagem dinâmico para ativar sua absurdamente visceral interpretação.

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Desde sua nomeação em variados prêmios, esta como o mais cotado a levar para casa o careca dourado de melhor ator este ano. Merece. Merece ha muitos outros papéis atrás, contudo; a entrega na qual se jogou em “The Revenant” é algo tão dolorido, quanto lindo de se assistir. E é isso que sentimos no plano final. Dor. A dor da sua alma.

Iñárritu acerta. Uma vez mais. E o Cinema agradece.

Ah! Sim, e o Urso? O que foi aquilo????

#Valecadapipoca =)

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