A Expansão além da tela – DUNKIRK

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Temporada de Premiações

Opinião por Caroline Araújo

 

Imaginação é a capacidade de fazer e decifrar imagens. Do pré – cinema ao pós – cinema, tal como periodiza Arlindo Machado, a arte do movimento nasce e se mantém até hoje sob dois grandes signos: O da revolução e do experimentalismo. O diretor britânico Christopher Nolan depurou esses signos no decorrer de sua carreira, e foi alicerçando uma assinatura de direção milimétrica, onde o domínio da técnica é cirúrgico. Nolan tem uma ambição cinematográfica grandiosa, e talvez seja por isso que ele tenciona a si mesmo numa ritualização de surpreender a cada novo filme que lança, em qualquer gênero que se arrisque.

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“DUNKIRK”(2017) que recentemente esta voltando as telas de cinema devido a temporada de premiações, reconta a batalha no porto de Dunquerque, conhecida como Operação Dínamo, num suspense que existe em função do frenesi do combate. Contudo, temos um filme de guerra em que praticamente não há sangue. Mas há bombas. Muitas. Constantes e ensurdecedoramente asfixiantes.

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“Imagens não são conjuntos de símbolos com significados inequívocos, como o são as cifras: não são “denotativas”. Imagens oferecem aos seus receptores um espaço interpretativo: símbolos “conotativos” . (Flusser)

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Trabalhando a história fora da linearidade e da espacialidade – hora estamos no ar, hora no mar, hora na terra; Nolan pinta sua guerra com múltiplos pontos de vista, alheios até o momento em filmes do mesmo gênero, e brinca com a perspectiva de maneira magistral. Acompanhamos simultaneamente soldados na praia por uma semana, um barco de resgate por um dia e o caça pilotado por Tom Hardy por uma hora. Inclusive, essa disposição narrativa sutilmente coloca uma lupa em uma das maiores grandezas do cinema: Manipulação do tempo.

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O tempo, dentro de “Dunkirk” nos engole e dilacera. A força dele é uma amalgama perfeita entre a imagem plasticamente suja e o som que calcifica o terror psicológico da guerra. Do embarque de um pequeno veleiro civil às trocas protocolares de mensagens dos pilotos, pontos de partida da trama, tudo no filme é narrado com urgência pré-planejada e bem executada, dilatando momentos dramáticos com o sustento da trilha onipresente de Hans Zimmer. Alias, um dos pontos mais positivos desse filme e trazer a luz o trabalho sonoro que muitas vezes fica em planos inferiores. Impossível assistir a “Dunkirk” sem ser tocado pelo som que ele emana.

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Com o mesmo arranque seco e cru que havia começado, o filme se encerra num triunfo mudo (sim) tateando imagens de personagens fitando o vazio. Mas não é simplesmente o vazio. Imaginem o terror que acabaram de passar. O que vale e muito aqui é pensar que O filme de Nolan nos mostra que o cinema ainda tem muito a expandir, porque ele fez um filme que cria a imagem tanto dentro do ecrã, quanto fora dele, entrando para um roll diminuto de obras grandiosas.

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