O Inglês da vez

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Temporada de Prêmios

Opinião

Por Caroline Araújo

 

Como é de praxe, cinebiografias sempre chegam vistas com bons olhos na temporada de premiações, em especial se o apuro técnico, firmeza de direção possuem assim, uma pontualidade britânica.

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“The Imitation Game – O Jogo da Imitação”(2014), dirigido pelo norueguês Morten Tyldum, detém uma linha de produção nórdica impecável, recriando cenários, figurinos e objetos de cena de época de forma absurdamente verossímil, chegando a usar máquinas originais da Segunda Guerra e inclusive optar por filmar em alguns locais onde os fatos reais aconteceram para garantir uma arquitetura visual e a imersão do espectador na história contada de forma mais fidedigna possível.

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Trata-se da história de um gênio cientista britânico que não teve a vida fácil, Alan Turing interpretado por Benedict Cumberbatch de maneira brilhante, transformando seu famoso vozeirão agudo, em algo gaguejante e desconcertante, imprimindo a internalização das aflições de um homem obcecado por seu trabalho.

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Turing é considerado o pai da computação, e a história da sua invenção, onde liderou uma equipe de brilhantes criptógrafos que corriam contra o relógio para decifrar o inquebrável código nazista, ja foi de certa forma contada algumas vezes no cinema. Porém, nunca houve de fato foco na sua vida pessoal: Sua sexualidade.

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Esse poderia ter sido o plot point mais ousado do filme de Tyldum, mas que talvez por uma hesitação nórdica, preferiu, pincelar, ao invés de aprofundar. Pena. Turing era socialmente deficiente, mesmo sendo dono de uma das mentes mais brilhantes do século 20. Viveu oprimido e oprimindo um segredo que acabou lhe custando a vida, sua homossexualidade que até então era proibida por lei na Inglaterra daquela época. Esse era o ponto nevrálgico e a cereja desse bolo que passou meio sem açúcar nas escolhas da direção.

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Para ambientar o espectador, o roteiro usa e abusa de artifícios como flashbacks da juventude de Turing, cenas apresentadas fora de ordem cronológica e frames de batalhas da Segunda Guerra e das invasões nazistas. E é através disso que conseguimos entender todo o background do matemático. O que está entre os muros que separam um homem comum de um prodígio? A mente de Turing trabalha só, mas com engrenagens fantásticas. Percebemos isso nas nuances criadas por Benedict que veste a roupa do matemático de maneira inspiradora.

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Trata-se de uma história real, feita de forma firme e meticulosa (até de mais), resultando num belo filme, com boas e inspiradas atuações, mas que, até mesmo para os padrões atuais de ousadia, se manteve muito cauteloso.

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Pense que em tempos de ódio extremado, cura gay e preconceitos tão arraigados nessa sociedade moderna, se você tem hoje a oportunidade de usar um pc, smarthphone, tablete e etc, grande parte, deve-se a esse cara. Que, era Gay. E quantos como ele sofreram, ou sofrem por conta do preconceito. Somente em 2013 a rainha perdoou publicamente a condenação de Turing. Perdoou.

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É irônico, porque foi exatamente ele que ajudou a encurtar a guerra em 2 anos, salvando mais de 14 milhões de pessoas, mas foi tido como indecoroso por uma opção pessoal. Pena. Pena. Este era um filme e uma história que MERECIA ( e tinha tudo) para ter ido além. As vezes a tal disciplina nórdica atrapalha um pouquinho. Merece todas as indicações, e principalmente merece ser visto. Cinematografia obrigatória aos cinéfilos de plantão.

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O INDEPENDENTE DA VEZ

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TEMPORADA DE PREMIOS

OPINIÃO

POR Caroline Araújo

Como de costume, quando a temporada de premiação americana de ciências cinematográficas começa, entre super produções, azarões e gêneros diferenciados temos sempre um filme independente no páreo. Grande vencedor do Festival de Sundance em 2014, temos um longa que encantará os apaixonados por música ao mesmo tempo que asfixiará os amantes de cinema.

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“WHIPLASH – em Busca da Perfeição” (2014) dirigido e escrito por Damien Chazelle levanta uma discussão interessante, qual é o ponto máximo que se deve submeter-se a pressões e condições degradantes de aprendizado ou esforço para se conseguir algo que se almeja? Qual o limite? Existe Limite?

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“WHIPLASH” é um olhar eletrizante e agressivo sobre o que é preciso para forjar um verdadeiro mestre em sua arte. Acompanhamos a história do jovem Andrew Neyman (MilesTeller) aluno de um consagrado conservatório americano, cujo foco é se tornar uma lenda da musica no instrumento de sua paixão: Bateria. Dedicado, ele v6e a possibilidade desse sonho tornar-se real quando o famoso professor Terence Flecher (J.K.Simmons) o chama para uma audição e permite que ele passe a integrar a banda principal do conservatório.

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“WHIPLASH”  transita entre os dois personagens e suas trocas furiosas quase o tempo todo. Há poucos respiros, pausas ou momentos de leveza na obsessão dos dois homens, que aos poucos asfixia quem assisti. Somos levados ao aumento do batimento cardíaco quase que os 109 minutos de duração.

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Fletcher é um sujeito truculento, com ataques pessoais aos alunos, criando um sistema de ensino motivacional degradante que nos remete instantaneamente aos insultos do Sargento Hartman de R. Lee Ermey do Clássico “Nascido para matar” ou até mesmo pela paixão do ensino da musica, ser comparado a um Richard Dreyfuss só que versão infernal do “Adorável Professor”. Simmons nos dá um Fletcher feroz, intempestivo e extremista. Brilhantemente contrapondo com um Neyman introspectivo e extremamente reservado de suas emoções.

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Acontece aqui um ganho sensível na maneira de dirigir. Chazelle filma com certa economia, movimentos de câmera “classudos” (referencia 80`s bacanuda); fotografia na medida com alguns planos fechados que geram certa claustrofobia (proposital logicamente), direção de arte enxuta, elenco de apoio focado e pequeno, contudo; uma voracidade de montagem e uma trilha sonora extraordinária transformando “WHIPLASH” em um filme para se ver e ouvir intensamente.

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Absolutamente um “azarão” que corre por fora na disputa oscarizada de fevereiro, mas um daqueles filmes que você sai mexido, por ser extremamente simples de ideia e perfeitamente executado. Aos amigos músicos, principalmente os bateristas, videografia obrigatória.

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A ACERTADA DA VEZ – OPERAÇÃO BIG HERO

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OPINIÃO

 

Por Caroline Araújo

 

Toda criança seja menino ou menina já sonhou alguma vez em ter uma espécie de super poder, conseguir fazer algo fantástico que lhe permite-se sentir-se único no meio da multidão. Seja algo que venha de um universo fantástico, seja algo que se constrói com inteligência e expertise. Pois bem, a nova animação da Disney que aportou no final de 2014 nos cinemas solidifica a nova fase dos estúdios da Disney Animation trazendo uma tônica mais madura, apalpável e com uma pureza de sentimentos fraternais tal qual o sucesso anterior “FROZEN – Uma Aventura Congelante”.

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“BIG HERO – OPERAÇÃO BIG HERO”(2014) dirigido por Don Hall e Chris Willians, não deixa a peteca cair para a Disney e mostra que a nova aposta de personagens e histórias dos estúdios esta no caminho certo. A película é a primeira obra do estúdio adaptada dos quadrinhos da Marvel. Com certeza dificilmente você ouviu falar desses personagens até porque tiveram vida curta nos anos 90 e foram lançados, principalmente, para o mercado japonês.

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Esse é um dos trunfos, porque esse desconhecimento que fez a produtora escolher a franquia, dando a oportunidade para criar algo novo a partir de propriedade intelectual da Casa das Ideias, sem interferir com os grandões da companhia e o resultado dessa super joga foi um filme muito bem trabalhado, divertido e com muita ação e que agrada crianças e marmanjos de todas as idades. Especialmente os que quiseram os super poderes na infância.

 

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A história gira em torno dos Irmão Hiro e Tadashi, órfãos, que vivem com a tia dona de um café na cidade de São Franstokyo (super sacada). São Nerds, mega inteligente, e no caso de Hiro, o caçula, super dotado. Tadashi estuda na faculdade de robótica mais renomada da cidade e vive tentando mostrar ao irmão que ele deve investir mais no talento que tem ao invés de desperdiçar em rinhas de robôs. A partir dai, vem os plot points que melodrama nenhum bota defeito. Embora não exista nenhuma inovação na trama, os elementos básicos estão muito bem amarrados e construídos, fazendo com que os espectadores mergulhem no universo de Hiro, sua dor, sua raiva, e sua inteligência.

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Nesse momento entra nosso personagem dinâmico, o robô Baymax criado por Tadashi e que com Hiro forma uma dupla Mestre Miyagi e Daniel San. Baymax é um robô único. Seu exterior, inspirado em tecnologias reais, é composto de vinil – o que lhe proporciona visual de marshmallow gigante. Dócil e inocente, o personagem alterna momentos paternos, quando tenta cuidar de Hiro, e infantis, quando luta para entender o mundo onde vive e é a principal ferramenta dos diretores para manter bom equilíbrio entre comédia, ação e momentos dramáticos.

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Baymax é poderoso, mas é constantemente utilizado para proporcionar leveza até mesmo nas situações mais sombrias ou tensas da narrativa. Um cenário Cyberpunk na melhor referencia possível, com uma mistura de sentimentos reais e humanos e com ótimas sacadas para o público. Visualmente bem feito, produção impecável e trilha sonora contagiante. É filme para criança e criança adulta também e vai fazer muito marmanjo ficar com sorriso no rosto ao final da sessão.

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Entre as Estrelas

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Opinião

Por Caroline Araújo

Vez ou outra somos brindados por temporadas de estreias cinematográficas que mexem e reviram as cacholas dos espectadores. Creio que estamos entrando no buraco de minhoca de uma delas. Como se seu novo trabalho estivesse a um passo à frente de sua própria carreira, Christopher Nolan consegue reafirmar sua posição como um dos diretores mais grandiloquentes do cinema americano atual.

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“INTERSTELLAR – INTERESTELAR”(2014)  é sim uma ficção científica das mais puristas, cheia de questionamentos e que explora como poucos não só a ciência, mas também aborda temas como o desperdício, abandono, solidão e desespero. Em sua essência, um filme sobre humanidade, cuja robustez da narrativa retrata a capacidade do homem de ser devastador, mesquinho e ao mesmo tempo sonhador, iluminado e extremamente empreendedor. Absolutamente é um longa sobre o nosso lugar, insignificante, dentro do universo, sobre os conceitos de fé e amor; oferecendo a plateia uma força reflexiva por meio de uma filosofia empregada na construção das imagens digna de Terence Malick.

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É um filme que merece escrever sua própria história, sem ficar sofrendo com comparações inadequadas, mesmo que seja difícil não associar ou remeter a um dos maiores clássicos do cinema mundial do gênero “2001 – uma Odisséia no Espaço” de Stanley Kubrick. A história gira em um futuro não determinado, onde engenheiro espacial Cooper (Matthew McConaughey) trabalha como fazendeiro cultivando milh. A maioria dos alimentos da Terra já acabaram e as plantações que restam são constantemente atacadas por pestes e tempestades de poeira. Tudo é envolto em tempestades de pó. Ao lado dos filhos e do sogro (vivido pelo ótimo John Lithgow), ele vive simplesmente sem perder os resquícios de uma vida culta proporcionada pelo conhecimento da ciência.

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Um belo dia, um dado acontecimento o permite voltar a trabalhar com a ciência, em prol de uma busca pela própria salvação da humanidade, e a partir dai temos um roteiro cuja base são os estudos do cientista Kip Thorne e que proporciona uma viagem visual e reflexiva tal qual a grandiosidade do projeto de Nolan. Ou seja, por mais absurdo que possa parecer, “INTERSTELLAR” se baseia em teorias reais e, portanto, se estrutura em algo que poderia realmente acontecer. Com isso o diretor coloca a cara a tapa para os olheiros de plantão que vão revirar seu filme do avesso procurando por furos e equívocos.

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Compulsivo por controle, purista e meticuloso, Nolan se gaba de não ter usado Chroma –Key durante as filmagens. Ele e sua equipe estudaram e muito antigas técnicas de filmagem, retroprojeção e construíram o máximo de SETS que o orçamento permitiu. As cenas espaciais foram projetadas em imensos telões enquanto as câmeras captavam as emoções faciais dos atores. Contemplativo e cheio de silencio Nolan gosta de mexer com o tempo fílmico de modo a influenciar a experiência do espectador em tempo real, uma proposta quase metalingüística ao expor essa função do cinema em também conseguir esculpir o tempo de acordo com seu objetivo.

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Exatamente por essas características temos um filme com um apuro técnico impecável. A montagem de Lee Smith merece elogios, principalmente pelo fato de conseguir fazer o filme fluir bem nos momentos mais reflexivos e mesmo contando com quase três horas de duração. A direção de arte foi bem inspirada, mas impulsionada pelo grandiloquente design de produção que permitiu que o filme tivesse a arquitetura dramática que exulta na tela, num ótimo trabalho da equipe de efeitos visuais.

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Sem mensurar a atuação do elenco, que esta primorosa. Matthew McConaughey se supera a cada novo papel que é contemplado. As nuances de emoção são cruciais em vários momentos da película. Assim como sua dobradinha com Jessica Chastain que interpreta sua filha Murphy ja adulta, ou Mackenzie Foy que dá vida a jovem Murphy, que são pontos cruciais da trama.

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Grata surpresa. E grande apostas na temporada de prêmios que começa a se desenhar. Assistam no Cinema. #FicaDica.

O Relacionamento Exemplar

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Em cartaz

Por Caroline Araújo

Digestão fílmica. Foi isso que fiz durante uma semana. Voltei ao cinema e assisti uma vez mais para com lisura poder discorrer sobre. Fiz isso porque em nenhum momento queria estar contaminada pelo olhar de quem curte (e muito) os trabalhos do diretor estadunidense David Fincher. Precisava tirar a prova dos 9 e o resultado após isso confirmou muitas coisas para mim.

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Primeiro, David Fincher é um dos mais talentosos e versáteis diretores da atualidade. Já demonstrou isso em inúmeras películas nos últimos anos onde podemos destacar “Seven (1995), “The Fight Club (1999),”Zodiac (2007), “The Curious case of Benjamin Button”(2008), “The Social Network”(2010) e “The Gril with The Dragon Tattoo”(2011). Não é por menos que aos 08 anos já fazia filmes com a câmera amadora de seus pais.

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Segundo, porque David simplesmente desenvolveu uma forma de filmar, onde seu time é composto de peças únicas e que desenvolve suas funções de maneira agregadora, somando cada especificidade fílmica, de forma que a técnica é um dos pontos chaves de suas obras, demonstrando que ele possui controle e ciência do que exatamente deseja fazer.

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Terceiro, porque Fincher de forma inteligente e elegante nas escolhas desenvolve uma peça teatral sobre os teatros que circundam uma américa falida, hipócrita e totalmente manipulável.

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“Gone Girl – Garota Exemplar”(2014) é a adaptação cinematográfica do livro homônimo de Gyllian Flynn que responde pelo roteiro (primeiro ponto positivo) que de forma bastante equilibrada faz algumas alterações frente a história literária sem comprometer o resultado nas telas, ao contrário; potencializa e muito a história central.

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A história gira em torno do casamento dos sonhos de Nick (Ben Affleck) e Amy (Rosamund Pike) com direito a nuvem açucarada na madrugada, caça ao tesouro a cada aniversário de casamento e total entrega de ambos para compreender e ser esteio um do outro. Mas isso só no início. Ben constrói um Nick patético, totalmente desconectado e perfeito. Assim como Rosamund desenvolve uma Amy fantasmagórica, fria e incrivelmente louca. Duas escolhas perfeitas que conseguem criar um dueto na tela de tensões e esquizofrenias cotidianas de forma surpreendente.

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Junte a isso a montagem primoroso de Kirk Baxter que sutilmente mescla os tempos fílmicos em um só, com a ajuda do design de som e trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross que conseguem criar uma atmosfera fílmica imersiva e inacreditável. A fotografia conversa com a direção de arte, criando o mundo de Nick com tons frios e vazios e o de Amy cheio de calor e vida.

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David acerta mais uma vez e entrega ao publico mais uma versátil aula de como fazer cinema na atualidade. Nenhuma surpresa, caso “Gone Girl” figure na lista de melhores filmes do ano, além dos prêmios técnicos e de interpretação. Mais que merecido.

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Mau como o pica -pau – The Equalizer chega aos cinemas

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Estreia

 

Por Caroline Araújo

 

Com um objetivo claro em manter a atmosfera do seriado de TV The Equalizer; que fez sucesso nos Estados Unidos na década de 80, a adaptação ao cinema homônima que marca o reencontro do diretor Antoine Fuqua e do ator Denzel Washington 13 anos depois da parceria de sucesso que rendeu a Denzel o Oscar de melhor ator por “Dia de Treinamento”, chega aos cinemas carregada de clichês óbvios dos filmes de ação, mas cumprindo muito bem o papel de entreter o espectador.

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“THE EQUALIZER – O Protetor”(2014) apresenta para nós um Robert “Bob”McCall (Denzel Washington) , sujeito aparentemente comum que trabalha numa loja de departamentos; sempre prestativo com os colegas de trabalho, extremamente incentivador, uma espécie de conselheiro e amigo para todas as horas. Insone, frequenta a mesma lanchonete madrugada após madrugada para tomar um chá e tentar lendo seus livros, e assim, acaba ficando amigo de uma prostituta chamada Terry | Alina (Chöe Grace Moretz). Quando a garota sofre uma surra de seus cafetões que acaba mandando-a para UTI, Bob começa a revelar suas habilidades do passado e inicia uma guerra contra o crime organizado.

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McCall é quase um MacGyver no sentido de resolver qualquer situação por mais caótica que ela possa parecer e sem amarrotar a camisa, claro. Ele planeja a duração de suas ações e cronometra para comparar os tempos, o que endossa um lado divertido do personagem. Ele não hesita em fazer seus adversários sangrarem e mesmo que tome um tiro, facada ou porrada, ele mesmo faz seu curativo com mel quente, ferro quente ou que lhe aparecer na frente. Mau como pica – pau.

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Entretanto, o roteiro pouco inspirado acaba no lugar comum de mais do mesmo de histórias de homens “justiceiros” como Bob. A Escolha de Denzel é totalmente coerente e precisa. Ele constrói um personagens cujas origens são desconhecidas, é forte e se mantém indestrutível do começo ao fim feito uma máquina. O cuidado técnico é apurado, como a utilização do foco como recurso narrativo, enquadramentos nada óbvios e que auxiliam a história sem falar em seqüências inteiras que se iniciaram de pequenos detalhes.

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De certa forma, Fuqua promove uma fetichização da figura de Washington, criando uma espécie de super – herói – urbano que não faz nada extremado, é calmo, meticuloso e perfeccionista até mesmo quando esta descendo porrada nos bandidos. Enquadra nosso justiceiro de todas as formas, ângulos e velocidades de câmera possíveis reafirmando que “sou seu pior pesadelo”. Beijinho no ombro.

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O elenco de apoio funciona, o desenho de produção, as sequencias de ação são bem feitas e a trilha sonora fecham de forma bacana o conjunto, que mesmo comento alguns deslizes e não chegando perto do que foi a parceria de Fuqua e Denzel 13 anos atrás, vale e muito como entretenimento. Preparem a pipoca.

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O LABIRINTO SEM SAL

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em cartaz

Por Caroline Araújo

A avalanche de adaptações literárias, sobretudo, as aventuras fantásticas que ulularam na primeira década deste século, onde personagens extremamente jovens detinham o posto de destaque das películas que chegavam as telonas, deixou pouquíssimos espécies de narrativas surpreendentes. Na grande maioria, engrossaram apenas a coqueluche de se estabelecer novas franquias de filmes para aumentar a conta bancaria dos grandes estúdios.

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“MAZE RUNNER – Correr ou Morrer” dirigido pelo iniciante Wes Ball, chegou aos cinemas brazucas recentemente e entra para as estatísticas de um produto que poderia ter ido além, mas preferiu manter o papai mamãe usual. Trata-se da adaptação para o cinema do romance futurista de James Dasher, onde uma espécie de “garotos perdidos e desmemoriados” encontram um meio de sobreviver em uma clareira cercada de altíssimas muralhas que abrem e fecham todos os dias e dão passagem à um labirinto até então intransponível e indecifrável.

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A escolha narrativa peca. Tenta explorar o não desvelar dos fatos para criar uma conexão com o espectador tentando imprimir certa curiosidade, que no início, funciona. O cenário pós – apocalíptico remete aos recentes filmes juvenis em que de forma abrupta e aparentemente inexplicável jovens são obrigados a aprender a serem adultos em um formato de reality show de sobrevivência. Contudo, com o passar do filme e das ações que desenrolam, é inevitável perguntar porque diabos esses garotos continuam a viver ali, numa sociedade “paralela” sem de fato lutarem contra o bendito labirinto e vazarem para casa? É ai que nosso protagonista Thomas (Dylan O’Brien) acaba funcionando ( mesmo com ar de modelinho ator) inclusive como personagem dinâmico, trazendo a curiosidade para dentro da tela, mudando a estrutura daquela sociedade de garotos e provocando ações.

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Poderia ter surtido ótimos momentos, mas a falta de pegada da direção joga um balde de água fria em todo o processo. Dylan é um protagonista dedicado e se esforça para encabeçar a trumpe, mas não podemos dizer o mesmo dos demais garotos escalados, apáticos, chatos e que não convencem. A todo instante existe uma tentativa de passar certo terror ao espectador para que ele sinta o desconforto do ambiente hostil que se apresenta na tela, mas é muito aquém. As cenas de ação que deveriam ser o ponto chave para fisgar quem assisti, estão perdidas igual cego em tiroteio de efeitos visuais na escuridão noturna que o diretor imprimiu. O bendito “Maze”, o labirinto não é tão assustador, muito menos claustrofóbico ou colossal.

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Com o decorrer na narrativa, e os fatos sendo colados como um quebra cabeça, fica uma sensação de explicação, pois, por mais vasto e grandioso que as tomadas dos planos aéreos tentam mostrar que aquele pesadelo de fato era para esses garotos, é umbilical a relação do cenário com seus personagens, para que possamos entender o conflito que se encena; e sinceramente, a pimenta que dá o toque final no prato, fica faltando, pois não existe uma justificativa realmente palpável para esse mundo e essa tortura que foi mostrada. Apenas um novo espécime de filmes, que jogam as cartas para fazer continuações.