A FORÇA DE UMA MULHER

Opinião

Por Caroline Araújo

Em tempos em que os contos dos Irmãos Grimm saíram dos túmulos longínquos e voltaram a serem referendados; o colorido e infantilidade enaltecidos pela Disney no passado sede lugar a tensão e sobriedade da ancestralidade das histórias orais que ganharam o mundo.

“Snow White and the Huntsman – Branca de Neve e o Caçador” (2012) que acabou de chegar aos cinemas brasileiros é tudo menos uma fábula, por isso, não tão indicado para levar as crianças.

Antes de mais nada essa “releitura”, como muitos podem se referir, da história da princesa perseguida pela madrasta má por conta de sua beleza alva, nos trás duas grandes e espetaculares surpresas. A Primeira é Rupert Sanders , O DIRETOR. Conhecido por ser um profícuo diretor de publicidade, ganhador de Cannes no festival internacional de publicidade, o britânico Sanders faz aqui, seu primeiro longa metragem. E de cara, como poucos, mostra conhecimento, entrosamento e comprometimento com o projeto. Ainda faltam uns ajustes, pois em determinados momentinhos, a narrativa tornou-se um tanto arrastada, contudo, o pulso de Sanders foi milimétrico.

A segunda não poderia ser outra, a força descomunal com a qual Charlize Theron, se entrega à pele de RAVENNA, a bendita madrasta desta historieta assombrada. A gente, sempre ouviu que a madrasta era má, má, tão má quanto o pica pau. Mas a construção da Ravenna de Charlize, começamos a desvelar que essa “maldade” é dolorida, pesada, um fardo que ela carrega, não algo que naturalmente ela é. A “humanização” da Rainha má, foi algo sutil, mas poderosamente emblemático neste projeto.

Kristen Stewart, que dá vida a Branca de Neve, me surpreendeu. Melhor aqui do que como a insossa Bela de “Crepúsculo”. Fotogênica, alguns enquadramentos mostraram porque fi eleita para esse papel, mesmo assim, sua Branca de Neve, nem um pouco indefesa, funciona, mas é totalmente fagocitada pela presença de Ranenna.

O Roteiro funciona, mas também emperra alguns desdobramentos. Os personagens masculinos foram totalmente aniquilados. O tal Caçador do título aqui interpretado por Chris Hemsworth, até tem algum holofote, alguma função a mais, mas mesmo essa é fugaz. O Príncipe encantado, que aqui poderia ser o amigo de infância de Branca, Willian (Sam Claffin), tá meio Robbin Hood e assim como o tal Caçador, totalmente blasê.

Os anões. Bem, a gangue de baixotes é habilmente interpretada por um grupo dos melhores atores Ingleses da atualidade, e são um dos pontos altos.

Fotograficamente interessante, com uma direção de arte e um figurino que chamam a atenção de cara. O projeto sonoro preciso, e uma trilha que vai alinhavando a história contada. Poderia ter sido um pouco mais ágil, e quem sabe, mas rápido, a lentidão é algo que pode incomodar boa parte dos espectadores. Contudo, uma boa recriação dessa história secular, com um presente interpretativo de uma das mulheres mais talentosas e BELAS, da atualidade. Depois da Ravenna de Charlize, a Rainha Má nunca mais será a mesma. Cabia até um título tipo “BRANCA DE NEVE e a RAINHA MÁ”. Seria melhor que o famigerado caçador. Boa sessão.

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ESPELHO ESPELHO MEU, AINDA BEM QUE EXISTE O CONTO ORIGINAL MELHOR DO QUE EU.

Estreia

Por Caroline Araújo

Boas histórias tem releituras adi infinutum . Popularizada e imortalizada em todo o mundo após a compilação de contos de fada da tradição oral alemã compilado pelos irmãos Grimm em um livro intitulado “Conto de Fadas para Crianças e Adultos”, a história de Branca de Neve volta com tudo em 2012.

“Mirror, Mirror – Espelho, Espelho meu” (2012) dirigido pelo inconfundível indiano Tarsem Singh (“The Cell” e “Imortais”) e suas saturadas “cores” acaba de estear nas salas brazucas. Trazendo Julia Roberts no papel da Rainha Má e Lilly Collins como  Branca de Neve, Tarsem trabalha um lado menos sombrio e muito mais leve deste conto, e ainda faz uma homenagem aos irmãos Grimm, colocando como nome em um dos personagens. Contudo, o que inicialmente começa como uma possível sátira torna-se posteriormente, enfadonho e previsível.

 

Na história de Tarsem, cujo roteiro é assinado por Jacob Grimm e Wilhelm Grimm, a rainha vivida por Julia, mantém a princesa Branca de Neve enclausurada no castelo, enquanto domina o reino após o REI ser dado como morto depois de desaparecer misteriosamente na floresta sombria. Figurinos estruturados e luminosos, são obras de arte a parte, que abrilhantam uma cenografia um tanto, fraca, eu diria. A rainha, nem é tão má e sim, sarcástica. Interessante versão.

Príncipe Alcott (Armie Hammer)  ocupa um lugar de disputa entre o verdadeiro amor de Branca de Neve e a vaidosa necessidade de poder da Rainha Má. Armie esta muito bem no papel, além de encantadoramente personificar um príncipe daqueles! Assim como Lilly que empresta a Branca de Neve os finos traços que nos remetem a Audrey Hepburn.

Contudo o sarcasmo, que seria o ponto alto dessa releitura, perde-se em algum lugar entre um vestido de cisne a lá Björk (todos vão fazer essa ligação, pois é IMPOSSÍVEL NÃO FAZÊ-LA) e o fera sombria extremamente fofa que quando você a vê de frente pela primeira vez, mata a charada no segundo seguinte. PREVISÍVELMENTE IDIOTA. Natan Lane, sempre bom, como puxa- saco real, é uma das boas surpresas.

Os sete anões ganharam pernas de pau, viraram ladrões e em fim, suas piadas não são engraçadas. Roberts, LINDA, obvio, esta tão a vontade como rainha quase má. Mas sua beleza, não ajuda com que o filme ganhe uma respiração extra. Sean Bean,  que personifica o rei tem uma pífia participação e esta pessimamente dirigido. Ai ai Ed Stark!

Mas o que mais me incomodou sem duvida, foi o laçarote laranja horroroso no vestido de casamento de Branca de Neve na parte final. Jesus! Já não bastava o vestido de cisne¿¿¿