ESPELHO ESPELHO MEU, AINDA BEM QUE EXISTE O CONTO ORIGINAL MELHOR DO QUE EU.

Estreia

Por Caroline Araújo

Boas histórias tem releituras adi infinutum . Popularizada e imortalizada em todo o mundo após a compilação de contos de fada da tradição oral alemã compilado pelos irmãos Grimm em um livro intitulado “Conto de Fadas para Crianças e Adultos”, a história de Branca de Neve volta com tudo em 2012.

“Mirror, Mirror – Espelho, Espelho meu” (2012) dirigido pelo inconfundível indiano Tarsem Singh (“The Cell” e “Imortais”) e suas saturadas “cores” acaba de estear nas salas brazucas. Trazendo Julia Roberts no papel da Rainha Má e Lilly Collins como  Branca de Neve, Tarsem trabalha um lado menos sombrio e muito mais leve deste conto, e ainda faz uma homenagem aos irmãos Grimm, colocando como nome em um dos personagens. Contudo, o que inicialmente começa como uma possível sátira torna-se posteriormente, enfadonho e previsível.

 

Na história de Tarsem, cujo roteiro é assinado por Jacob Grimm e Wilhelm Grimm, a rainha vivida por Julia, mantém a princesa Branca de Neve enclausurada no castelo, enquanto domina o reino após o REI ser dado como morto depois de desaparecer misteriosamente na floresta sombria. Figurinos estruturados e luminosos, são obras de arte a parte, que abrilhantam uma cenografia um tanto, fraca, eu diria. A rainha, nem é tão má e sim, sarcástica. Interessante versão.

Príncipe Alcott (Armie Hammer)  ocupa um lugar de disputa entre o verdadeiro amor de Branca de Neve e a vaidosa necessidade de poder da Rainha Má. Armie esta muito bem no papel, além de encantadoramente personificar um príncipe daqueles! Assim como Lilly que empresta a Branca de Neve os finos traços que nos remetem a Audrey Hepburn.

Contudo o sarcasmo, que seria o ponto alto dessa releitura, perde-se em algum lugar entre um vestido de cisne a lá Björk (todos vão fazer essa ligação, pois é IMPOSSÍVEL NÃO FAZÊ-LA) e o fera sombria extremamente fofa que quando você a vê de frente pela primeira vez, mata a charada no segundo seguinte. PREVISÍVELMENTE IDIOTA. Natan Lane, sempre bom, como puxa- saco real, é uma das boas surpresas.

Os sete anões ganharam pernas de pau, viraram ladrões e em fim, suas piadas não são engraçadas. Roberts, LINDA, obvio, esta tão a vontade como rainha quase má. Mas sua beleza, não ajuda com que o filme ganhe uma respiração extra. Sean Bean,  que personifica o rei tem uma pífia participação e esta pessimamente dirigido. Ai ai Ed Stark!

Mas o que mais me incomodou sem duvida, foi o laçarote laranja horroroso no vestido de casamento de Branca de Neve na parte final. Jesus! Já não bastava o vestido de cisne¿¿¿

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ESQUARTEJAMENTO MITOLÓGICO

em cartaz

por Caroline Araújo

 

O atual tsunami de releitura das histórias mitológicas da Grécia com seus deuses, heróis e titãs vem reverberando pesadamente nestes últimos 2 anos. Embora saibamos que cada diretor tem uma visão diferente, cada roteirista tem sua liberdade poética, faz-se necessário colocar algumas rédeas para não bagunçar o coreto da história humana. Rédeas essas que faltaram neste mais novo “conto” que trabalha as lendas e mitologias da grande Grécia.

“Immortals – Imortais”(2011) dirigido por Tarsem Singh, A Cela” ( o que fica CLARO quando nos deparamos com o figurino das virgens do oráculo por exemplo),  que parece não se preocupar muito com o desenvolvimento do enredo; é um longa para se para assistir sem compromisso e sem apego à mitologia como descrita nos livros como aviso para não ter uma sincope no meio da projeção.

 As cenas de batalhas são grandiosas, impecáveis e sanguinárias. Seu problema é que Tarsem Singh acreditou que somente a intensidade visual seria suficiente para sustentar 110 minutos de projeção. Ledo engano.  A Preocupação demasiada  com a beleza de seu trabalho resultou com que ele não conseguisse desenvolver direito a história e os personagens, o que torna o filme um espetáculo belo, mas vazio e que dificilmente vale um biss.

Henry Cavill (o próximo Super-Homem) dá vida a Teseu, mas ainda não tem o carisma de um protagonista. Entretanto,  mostra desenvoltura como guerreiro  valente de coração puro e que deseja apenas defender os seus. Freida Pinto está inexpressiva tal qual no recente Planeta do Macacos: A Origem” e nada acrescenta ao filme a não sua beleza indiana. A nudez foi apelativa por demais.

Contudo, Mickey Rourke é o destaque do filme no papel de vilão, e acredito que não teria melhor interprete. Ressequido, árido e bruto! Uma personificação precisa . Porém, Mickey é totalmente  prejudicado por um roteiro que não abre espaço para os atores imprimirem profundidade em seus personagens, mesmo ele fazendo isso à fórceps.

O roteiro sabota e dilacera as lendas, embora em alguns atos busque referenciá-las. Mas nem tudo é um caos. A obra torna-se um interessante longa de ação-ficção cujos nomes dos personagens foram emprestados dos personagens gregos. Acho que essa seria a melhor definição.

A produção primorosa ( bem diferente do recente “Fúria de Titãs”), contando com a direção artística de Tom Foden, que marca com sombras pesadas a guerra entre a humanidade sobre o olhar sempre esperançosos dos deuses. Um dos pontos positivos são as cenas que recorrem à beleza paisagística da Grécia antiga retratada em obras medievais, tendo um cenário gráfico impressionante em conformidade ao figurino espalhafatoso, destacando-se nesse meio os deuses com suas armaduras douradas e os oráculos e jogam cores numa paisagem terracota e cinza.

Mas mesmo assim artifícios artísticos e técnicos não são o bastante para salvar do naufrágio a mediocridade narrativa descompromissada com a veracidade dos mitológica o que, de certo modo, pode ser encarado como ofensa por seus mais fiéis apreciadores.  E essa falta de compromisso, como num efeito dominó, nos leva a um desenrolar insosso e preguiçoso, cheia de argumentos supérfluos para encaminhar uma ótica discutível a respeito dos interesses de seu herói. Podemos destacar o decepcionante duelo contra o Minotauro no labirinto ( realmente faz parte da lenda de Teseu essa passagem). O novelo de linha que marcava o direcionamento de Teseu no labirinto deu lugar a rastros de sangue e o Minotauro vira uma besta. Patético.

Vale destacar a ira dos deuses num ato final – e um aparato técnico competente o bastante para glorificar o projeto pela experiência visual proporcionada, com câmeras angulosas, mas tristemente vazias. O que será que podem fazer com Jasão? #Tenso