A Política Nua e Crua


Opinião

Por Caroline Araújo

 

Em 2005 quando lançava “Good Night, and Good Luck”  George Clooney nos mostrava um refinamento e brilhantismo de realizador que através do seu talento natural conseguiu transformar aquele thriller dramático num forte candidato aos Óscares  e demais premiações. Pois bem, com alguns trabalhos a mais pesando no currículo de direção, seis anos depois, Clooney novamente nos mostra seu lado mais sagas no que tange seu novo projeto audiovisual.

“The Ides of March – Tudo pelo Poder” (2011) é uma história baseada no livro “Farragut North”, de Beau Willimon, e retrata os dias que antecedem as decisivas Eleições Primárias dos democratas do Ohio. O foco centra-se em Stephen Meyers (Ryan Gosling), um dos principais braços e consultor eleitorais do Governador Mike Morris (George Clooney), um politico idealista e que esta a apenas um passo de garantir sua vitória nessa corrida.  Quando olhamos para Mike Morris o temos como um farol de ideias e de bondade, integro e absolutamente o homem correto e de pulso para comandar a nação américa. Contudo, no seu íntimo, ele é tão falso e tão influenciável como o seu rival eleitoral que nos é descrito como sendo um homem inculto que não tem uma bússola moral bem definida.

Clooney nos proporciona uma elegante, delicada e minuciosa direção, fazendo com  o filme seja uma diáspora, entre torne um thriller cativante mas relativamente inocente, onde somos jogados a confrontar uma coerente análise ao lado mais obscuro e desconhecido ( ou nem tanto) da democracia.

Clooney, que ficou famoso na série dramática “ER”, nunca escondeu seu apoio ao presidente americano Barack Obama e sua luta por causas humanitárias o transformou, querendo ou não, em uma das estrelas de Hollywood mais “comprometidas” com as questões politicas da atualidade. Nada mais coerente que todo esse “ativismo” esteja presente nas escolhas dos projetos que ele dirigi. Quando “The Ideas of March” fora apresentado  em Veneza no ano passado, o George disse que tinha previsto rodar sua história em 2008, em meio ao entusiasmo pela eleição de Obama, mas desistiu porque “não era um bom momento para um filme tão cínico”. Percebemos esse entusiasmo em alguns pontos da direção de arte, que utilizou grafias e montagem de posters e cartazes para o fictício Morris inspirados da direção de arte da campanha do próprio Obama, como na frase: “  MORRIS  BELIVE!!”

O roteiro escrito pela dupla Grant Heslov e Beau Willimon em conjunto com o próprio George Clooney, busca estabelecer uma linguagem que cada vez mais vem invadindo temas até então nada explorados dando diversas sub-tramas que estarão intimamente ligadas, gerando assim   uma rede ainda mais complexa e perigosa. Clooney inteligentementecontrapõe os discursos tipicamente (fajutos) políticos de Morris com discussões internas sobre o rumo das eleições, os resultados da audiência televisiva e principalmente o (des)encobrimento de fatos determinantes para o término ou não da caminhada presidencial.  Simula sinteticamente a mentira que verte nos discursos maniqueístas e liberais de Morris.

 “The Ideas of March” consegue ainda sutilmente, jogar um spotlight no papel que a  mídia desempenha no destino do país. Ida (Marisa Tomei), jornalista do The Times, principal jornal do país, e uma figura com uma voz ativa e respeitada dentro da política nos trás o quanto essa relação política-jornalismo é moldada por troca de favores e chantagens beirando vários abismos morais.

Nesta “umbra” politica é onde nosso principal boneco se encontra: Stephen Meyers(Gosling), jovem ambicioso que desencadeia uma verdadeira batalha de bastidores para evitar a derrota eleitoral do seu candidato e para salvar a sua carreira. Meyers inicialmente nos é apresentado como um cara que possui um carácter leal e louvável que contrasta com as exigências do seu cargo. Entretanto, à medida que o filme vai avançando, ele se transforma num homem ardiloso e insensível que até monta um plano maquiavélico para salvar o seu candidato e ficar com o trabalho do seu chefe e mentor obedecendo a uma construção narrativa realista que deriva de um factualismo social e existencial. O filme me lembra a realismo a a narrativa de “The Social Network”, por isso figura como um dos melhores lançamento de 2011, e com indicações a premiações.

Ryan Gosling está soberbo como Stephen Meyers, e uma vez mais atesta que é um ator com talento, carisma e com versatilidades fantásticas. Absolutamente sua atuação merece uma indicação ao Oscar. Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Marisa Tomei, Jeffrey Wright e Evan Rachel Wood completam um elenco afinado.

Aberta a temporada de premiações arrisco palpitar que deva ser indicado aos prêmios de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Ator Coadjuvante para Clooney e Melhor Ator para Gosling. Vamos ver no que que dá¿

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