Façamos as apostas! – OSCAR 2012

Por Caroline Araújo

Como se estivesse em uma daquelas esteiras de academia suei um bocado para conseguir assistir ao maior número possível de indicados deste ano, e postar as minhas impressões antecipadamente, porém, eu tô com uma pilha de textos para postar que terão que esperar segunda chegar! Dessa forma, parto para o tradicional “palpite” e coloco um pouquinho de azeite nesse jantar que degustaremos logo mais. Comecemos pelos prêmios mais técnicos:

Melhor Roteiro Original

Considerada junto com Roteiro Adaptado uma das principais estatuetas da noite, pois não existe filme sem uma boa ideia, sem um roteiro bem construído. Bem, essa categoria é barbada. Woody Allen deve ser coroado mais uma vez, e absolutamente merecido. “Midnight in Paris” é delicioso. Dos concorrentes nesta categoria apenas “The Artist” poderia estragar essa festa.

Melhor Roteiro Adaptado

Talvez esta seja uma das mais acirrada competições da noite. Pois dos 5 concorrentes, três estão na principal de melhor filme, e os outros dois deveriam estar lá com toda a certeza. Temos um veterano de indicações John Logan por “A Invenção de Hugo Cabret”, O fantástico e preciso já oscarizado Aaron Sorkin  por “MoneyBall” e a dupla  Bridget O Connor e Peter Straughan  responsável pelo inteligentíssimo  “Tinker, Tailor, Soldier, Spy” .  QUEM DE FATO MERECE: Aaron (again) com seu “MoneyBall”, QUEM ACREDITO QUE VENÇA: Logan pela campanha de “A Invenção de Hugo Cabret” ou Bridget e Peter, pelo fato de poder dar a dupla inglesa o terceiro Oscar póstumo na historia da premiação com “Tinker, Tailor, Soldier, Spy”. Bridget faleceu de câncer em 2010.

Melhor Efeitos Visuais

A briga de fato será entre “Harry Potter” e “A Invenção de Hugo Cabret”, pois embora não tenha os carrinhos brigões de Transformers, são dois trabalhos que mostram que os Efeitos Visuais são mais do que  criação de personagens surreais. Uma grande pena aqui foi a ausência de “The Tree of Life” que na brilhante sequencia do Big bang, utilizou efeitos especiais a moda antiga, lentes dobradas, colas, pratos, tintas. ELE É QUEM MERECE GANHAR. Mas minhas apostas vão para a equipe de “Harry Potter” que já fora anteriormente indicada.

 

Melhor Mixagem de SOM e Melhor Edição de SOM

Bem, juntei as duas pois na minha humilde opinião, é meio que Non sense a Melhor Edição de SOM não receber a Melhor Mixagem de SOM. Nessa levada QUEM MERECE GANHAR é a equipe responsável por “TRANSFORMERS: O LADO OCULTO DA LUA”, agora, quem pode estragar a festa é: “CAVALO de GUERRA” que seria uma premio de consolação para o novo filme de Spielberg.

 

Melhor Filme Estrangeiro

Com a ausência de Almodóvar, essa é a segunda barbada da noite. “Separação” do Irã, VAI LEVAR. Só se ZEUS lançar um raio é que não.

MELHOR EDIÇÃO

Esta é a segunda categoria peso pesado da noite. Todos os indicados deste ano, já receberam OSCARS anteriores ou indicações. O maior peso pesado é Thelma Schoonmaker que tem mais de 35 anos de parceria com Scorsese sendo indicada6 vezes e vencido 3, a ultima por “The Departed”. Contudo; Kirk Baxter e Angus Wall a dupla de ouro da atualidade (venceram ano passado por “The Social Network”) vem forte com o trabalho feito em “The Girl with Dragon Tattoo”. QUEM MERECE: Kirk e Angus. QUEM GANHA: Kirk e Angus.

Melhor Fotografia

Este foi um ano inspirado nessa categoria. Robert Richardson, ganhou duas estatuetas anteriormente por “JFK e The Aviator”, Jeff Cronenweth bateu na trave ano passado por “The Social Network”, mas definitivamente este é o ano de Emmanuel Lubezki por “The Tree Of Life”. Lubezki já foi assistente de Richardson, sozinho já recebeu 4 outras indicações, e de todas as fotografias concorrentes deste ano a que executa no filme de Malick é SOBERBA. QUEM MERECE GANHAR E QUEM VAI GANHAR: “The Tree of Life” (palmas)

Melhor Figurino

Aposto ser o primeiro prêmio da norte para “The Artist” pelo belo trabalho de Mark Bridges.

Melhor Trilha Sonora Original

John Williams campeão supremo nesta categoria, está indicado duas vezes, mas creio que Howard Shore leve pela sua inspirada composição para “A Invenção de Hugo Cabret”, mas quem merecidamente deveria levar o careca de ouro é Alberto Iglesias por “Tinker, Tailor, Soldier, Spy”.

Melhor Canção

Vou ser bem bairrista, não entendi neste ano serem apenas duas canções competindo, então, acredito que o trabalho dos brasileiros Sérgio Mendes e Carlinhos Brown sejam os verdadeiros merecedores por “Real in Rio”

Melhor Direção de Arte

Aqui o fogo trocado é entre “The Artist” e “A Invenção de Hugo Cabret”. O segundo tá com dois cavalos de vantagem.

Melhor Maquiagem

QUEM MERECE: “Albert Nobes” e QUEM DE FATO GANHARÁ: “A Dama de Ferro”.

Melhor Atriz Coadjuvante

Essa é a terceira barbada da noite: Octavia Spencer por “The Help” sem concorrentes que a superem. Próxima

Melhor Ator Coadjuvante

Christopher Plummer por “Beginners” deve facilmente subir ao palco nesta noite, e merecidamente. Se pudesse ocorrer um empate, Max von Sydow por “Tão Forte tão perto” deveria dividir a estatueta.

Melhor Atriz

A grande briga de amigas. E nós ganhamos duas memoráveis atuações. QUEM DEVE GANHAR: Meryl Streep por “A dama de Ferro”; QUEM MERECE GANHAR: Viola Davis por “The Help”. Surpresas podem ocorrer.

Melhor Ator

Cinco atuações ímpares, de grandezas absolutas. Já vencedores, indicados recorrentes e desconhecidos completos. QUEM DEVE GANHAR: Jean Dujardin pela tocante atuação em “The Artist”. QUEM MERECIA GANHAR: mais uma vez Brad Pitt na brilhante atuação em “MoneyBall”

Melhor Diretor

Não estou sendo bairrista, e sim JUSTA. O melhor diretor de 2012 fez o melhor filme. Porém, dificilmente ambos ganham pelo simples fato de não ser um filme de fácil compreensão, que agrade o publico de forma geral, fato considerado e muito pela Academia Hollywoodiana de cinema. Contudo, 2011 foi o ano onde uma das MAIORES obras primas do cinema mundial foi concebida. Em um mundo JUSTO – e esse foi de certa forma uma das justificativas do Júri de Cannes – TERENCE MALICK venceria. (eu ainda, assim como muitos, tenho esperanças). QUEM DEVE GANHAR: Martin Scorsese por “A Invenção de Hugo Cabret” confirmando o resultado do Globo de Ouro deste ano. QUEM DEVERIA GANHAR: TODOS sabem – TERENCE MALICK por “The Tree Of Life”.

Melhor Filme

Bem, continuando a justificativa acima, os 09 indicados desta edição são diferentes prismas, células que compõe o macro do que é ser humano. Com Isso, algumas indicações como “Tão Forte e Tão perto”, se justifica, mesmo preterindo outro que tecnicamente deveriam ser lembrados. Entretanto, julgo que desses, apenas 5, que são dos cinco diretores indicados teriam o real peso de representarem o que melhor se produziu no cinema na língua inglesa (deixemos isso claro). Nessa premissa, julgo que a docilidade, encantamento, e a grata homenagem ao Cinema, como um poema de amor a profissão que exerce dê a “A Invenção de Hugo Cabret” a consagração da noite. Merecida¿ Pode ser. O filme é impecavelmente executado, Scorsese mostra porque diabos é um dos maiores cineasta da sua geração, sendo extremamente versátil nos projetos que encabeça e preocupando-se em extrair o máximo de seus atores para com o publico. Martin conhece o espectador, e faz para nós um filme delicado como as canções compostas por Shore, iluminando como os olhos viscerais de Asa Butterfield. Cada pedaço de seu filme tem um subtexto que homenageia a sétima arte. Foi por isso que recebeu o maior número de indicações. Obvio. Mas na outra ponta temos “The Tree Of life” como legitimo representante do cinema D’arte, densamente trabalhado, plasticamente executado. Malick possui uma das mais belas filmografias da historia do cinema, TODOS os seus filmes são pequenas joias. Sem dúvida. A contribuição para nos mostrar que nós, humanos, lemos as imagens. Basta senti-las, observá-las, entende-las. Extremamente atual, neste momento onde nos tornamos uma SOCIEDADE DE IMAGENS, sendo que nenhuma dessas imagens é inocente. Malick filosofa com elas, sobre a essência da humanidade, sobre a potencialidade do amor do PAI para conosco, sobre onde esta a semente do mal que habita em todos. Qual Natureza devemos seguir¿ a Da graça e Gloria¿ ou a selvagem¿ A Grandiosidade das questões levantadas e abordadas por Malick, endossam a grandiosidade de seu trabalho. Como disse anteriormente, não é um filme fácil, de forma alguma. Mas é cinema puro, forte, e desconcertante.

QUEM LEVA: “A Invenção de Hugo Cabret”

QUEM MERECIA LEVAR: “The Tree of Life”

Bem, são meus sinceros palpites nas principais categorias. Esperemos a noite para contabilizar as apostas. =)

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O Inglês da vez – Oscar 2012

Opinião

Por Caroline Araújo

John Hurt, Colin Firth, Toby Jones, Benedict Cumberbatch, Tom Hardy, Mark Strong, Stephen Graham, Roger Lloyd-Pack, David Dencik, Ciarán Hinds, Kathy Burke e, logicamente, GARY OLDMAN. Com um elenco impecável como esse,  o director sueco Tomas Alfredson executa uma das mais primorosas películas de 2011, aliando técnica, inspiração e escolhas muito bem acertadas.

“Tinker, Tailor, Soldier, Spy – O espião que Sabia Demais”(2011), é um filme tão moral, que pincela pequenos dramas domésticos( e super importantes para compreensão da trama ) entre a grande sinuca – de – bico no qual a trama se centra: A Guerra fria. Impecavelmente ambientado no inicio dos anos de 1970, temos o serviço de inteligência britânico no meio do fogo cruzado entre CIA e KGB.  A divisão de “elite” da rainha enfrenta rumores de possuir um agente duplo em seu seio maternal. Como não poderia deixar de ser, MI9, recorre a um dos seus mais exímios servidores, o recém-aposentado “ex-expiãoGeorge Smiley para que se descubra quem é o vira – casacas.

Se por algum acaso espera  assistir um filme explosivo, barulhento, sangrento ou qualquer outro “ento” do momento esqueça. “Tinker, Tailor, Soldier, Spy” trata o espectador como um Sherlock Homes, deixando pistas, ligando fatos. Inteligente ao extremo e habilmente utiliza as grandezas cinematográficas para explorar o subtexto de seus personagens de forma pontual.

Smiley, não sorri. Irônico. Silencioso, discreto, sorumbático até. Começamos o filme com George a sendo conduzido a sua aposentadoria. Para esta nova etapa da vida, ele troca os óculos, por lentes novas. Mas, não deixa de ter a mesma disciplina, de outrora. Suas novas lentes, lhes mostram aquilo que antes não conseguira perceber.

Ellis – Mark Strong, assustado, sabe que esta sendo conduzido a uma possível emboscada, mas vai, porque no fundo sempre desconfiou de quem seria o vira- casacas, mas; doía muito admitir. O Talentoso fotografo  Hoyte Van Hoytema usou e abusou dos tons frios, acinzentados e marrons quase negros para compor uma fotografia que exprimisse exatamente essa zona entre os segredos e a realidade na qual espiões são obrigados a viver. E curiosamente apena Ricki Tarr – Tom Hardy possui um pouco mais de calor, cor, não adotando os taciturnos ternos e usando cabelos compridos, loiros e jeans. Tarr nos faz lembrar que até os espiões são humanos, não máquinas.

Gary Oldman  esta fabuloso. Aquele olhar poderoso adentra no espectador. Ele nos encara. Ele encara a todos. Não precisa bater, não precisa matar, ele vai extrair a verdade de você. Sempre no tom certo, a sua capacidade de transformação, para interpretar Smiley é assombrosa.

Todo ano um filme britânico sempre chega para o grande páreo do Oscar. “Tinker, Tailor, Soldier, Spy” é o britânico da vez. Milimetricamente pensado, e perfeitamente executado. A trilha sonora composta por Alberto Iglesias é ótima. Sempre marcante, sem nunca exagerar. A direção de arte é outro show a parte, as paletas de cores, objetos, o campo visual composto. Simplesmente fantástico. É isso que chamamos de trabalho de EQUIPE, e o cinema de todas as artes é uma arte de EQUIPE.

Concorrendo ao Oscar 2012 nas categorias de Melhor ator para Gary, Melhor Roteiro adaptado e Melhor trilha sonora original. Indicado a mais de 25 premios ao redor do mundo, no BAFTA 2012 levou para casa os prêmios de Melhor filme Britânico, melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha sonora e Melhor direção de arte.

A Indicação de Gary vem para coroar uma brilhando carreira tecida por este singular artista. Com mais de 40 filmes no currículo esta é sua primeira indicação. Para quem já foi Drácula, Sid, Sirus Black, Smiley vem somar a sua galeria de personagens marcantes. Seria uma grata surpresa a sua vitória, embora meu voto e torcida estejam em outro candidato.

Acredito que a melhor chance seja na categoria de roteiro adaptado, uma vez que a dupla Bridget O’Connor e Peter Straughan  fizeram um trabalho magnifico em cima de um best-seller clássicos de Le Carré sobre a Guerra Fria. E Bridget seria a terceira pessoa a receber um Oscar póstumo em toda a historia da premiação. Ela foi vitimada por um câncer em 2010. De qualquer maneira “Tinker, tailor, Soldier, Spy” trás algo mais ao espectador, numa época onde costumamos sair vazios da sala de projeção. E as terra de vossa majestade mais uma vez nos dão uma bela lição de como fazer um BOM filme.