O valor do Silencio

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por Caroline Araújo

 

É inegável que o gênero de espionagem sofreu uma rotação gigantesca com a a trilogia do ex – agente secreto que perde a memória. Uma espécie de novo James Bond, só que, mais violento, com sangue nos olhos e sem tantas firulas inventivas ou “bond girls”. As mulheres também metem porrada. A trilogia Bourne foi sem duvida um dos maiores sucessos do inicio dos anos 2000, e era redonda, encerrando de forma precisa o arco do protagonista com a icônica imagem do personagem nadando no final de “O Ultimato Bourne”. Mas parece que, a onda de trilogias que não tem fim, acabou gerando o quarto filme baseado no desmemoriado “o Legado de Bourne” e que não foi bem recebido ou visto como os anteriores.

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Entretanto, isso não intimidou Paul Greengrass, que muito mais experiente do que quando assumiu a direção em 2002 de “A Supremacia Bourne”, quase 10 anos após o ultimo filme da franquia, volta a direção e agora como co – roteirista no quinto filme que trás Matt Damon incorporando o agente mais procurado da CIA.

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Em “Jason Bourne”(2016) Matt Damon tem um total de 25 falas. Greengrass disse numa entrevista ao Guardian que já tinha consciência desse silêncio nos filmes anteriores; e, para ele o que define Bourne é a violência e as situações de ação. Mas o silencio é muito mais diegético. Ele expõe de forma languinar a inabilidade do personagem central em botar para fora seus traumas, angustias e motivações. Ao mesmo tempo, o silencio funciona como personagem, pois, a discussão que este quinto filme trás a tona perpassa por temas de anarcoativismo, excessos de vigilância e invasão de privacidade institucionalizada, onde, o silencio de um certo conformismo (ou seria um deixa disso) de grande parte da população, não cria um debate salutar sobre ( algo que a cada dia se torna mais urgente de debate). Quando na primeira aparição de Bourne se faz e vemos ele numa espécie de luta clandestina na fronteira de países no canfundó da Europa, é inevitável fazermos a comparação de como o tempo passou para esse cara.

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É interessante ver como o roteiro pincela a panela de pressão que esta a geopolítica atual, quando, coloca a primeira perseguição de cenas de ação numa sequencia incrível em meio a um gigantesco protesto na Grécia. Esse tipo de escolha concede ao filme um realismo, criando um canal de conexão dos personagens fictícios com o mundo real. Essa conexão é extremamente sagas, pois ambientando essas ações reais dentro da ficção, vai descamando as abordagens sobre as questões de segurança, espionagem e a conectividade no mundo virtual, uma espécie de “vigilância líquida” onde todos e tudo são vigiados 24horas. – hoje o virtual é o caminho mais fácil para a própria espionagem e a própria internet e o hackerismo que combatem isso.

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É curioso que Greengrass utiliza esse conceito de espionagem inclusive para saber como usar a câmera. Muita utilização de câmera livre, com objetivas longas, sempre a espreita e a procura de alguém como se; estive a observar o que ocorre. Nas cenas de ação que geralmente são frenéticas, neste filme conseguimos ter uma visão intensa e mais clara. Entretanto, a montagem, ficou um tanto enfadonha, monótona, tirando o ritmo que buscou-se criar. O roteiro também tem falhas, é uma espécie de “um fiapo da história que tenta-se fazer um outra história”. O que pode se esperar disso? Barrigas no arco dramatico, e uma atmosfera que vai até certo ponto e não diz à que veio.

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Alicia Vikander, interpreta Heather Lee, uma professional da CIA que tem uma penumbra dúbia, uma self – made woman, ambiciosa, determinada, mas ainda sim, meio perdida nas ações. Sua atuação é correta, dentro da amarração feita por Greengrass; mas tinha potencial para ser muito melhor.

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Eu acredito que o trunfo ( alguns não acharam) deste quinto filme Bourne é podermos ver nas nuances (sem falas) interpretativas e tão bem personificadas de Matt o envelhecimento do personagem. Algumas criticas colocaram que ele era um mero coadjuvante. Agora, se coloca no lugar dele. Sem memória, boa parte da sua vida adulta dos últimos 20 anos foi tentar descobrir quem é de verdade. Sem família, sem amigos, sem poder confiar de fato nem na sombra. Praticamente uma poeira cósmica. O silencio dessa alma perturbada é o maior grito de socorro que pode existir. A inexpressividade numa rinha humana lá no cafundó da fronteira da Europa, demonstra que tanto faz, morrer ou viver. Não sobrou nada além da não memória. Se pensarmos per esse prisma, Matt nos da um Bourne maduro, amargo e perfeito.

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Mesmo sendo um filme que não precisava ser feito, ele é um thriller de espionagem sólido, com uma boa fotografia e tratamentos sonoros bacanudos, vale uma pipoca, mas também demonstra as franquias que precisamos mais que fiapos de história para fazer continuações.

 

 

 

SPOTLIGHT no SPOTLIGHT

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SPOTLIGHT no SPOTLIGHT

 

OPINIÃO

 

POR CAROLINE ARAÚJO

 

Nesse turbilhão de arrasa quarteirão e franquias infindáveis que virou “tendência” no cinemão comercial mundial, quando um filme onde praticamente a orbita dramática circunda uma mesma locação e você tem diálogos cheios de tensões e interpretações; você entende o que D. W. Griffith fez ao colocar o close up em “The Birth of Nation” (1915). Contudo, quando em dias atuais nos esbarramos em filmes de textões e cheios de jornalistas, parece que estamos em 1970, no auge das produções de dramas investigativos jornalísticos que bombaram naquela década.

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“Spotlight – Segredos Revelados”(2015) é o refresco para a memória de que mesmo na contemporaneidade dos super estímulos da audiência, uma boa ideia cuja estruturação nevrálgica centre na tessitura de um roteiro profundo e muito bem arrematado, garante a atenção do espectador tanto quanto um show de pirotecnia. E com um adendo: será um filme que não morre em si, mas, reverbera, tem desdobramentos sociais, transborda o signo fílmico e produz um devir cinema.

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Seguindo o convencional de uma narrativa linear, Tom McCarthy conduz o publico nessa caçada da verdade, colocando bloco a bloco a construção de uma curva narrativa ascendente que absolutamente vai nos levar as nossas inquietações. Baseado em uma história real – que deu origem ao livro, vencedor do Pulitzer –, escrito pelo mesmo time que participou da apuração do caso que chocou o mundo sobre a série de relatos de pedofilia praticados por membros da Igreja Católica na cidade de Boston – EUA, a película posiciona o espectador dentro da redação e nas ruas, desvelando os fatos e se perguntando tao qual os jornalistas na tela “como puderam acobertar tudo isso?

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A atmosfera de bastidores da notícia inebria. Temos múltiplos protagonistas, cada qual com seu ponto de visão e seu peso somando ao tom que o arco dramático necessita. Não temos floreios, temos realismos. A direção de arte recriou um 2001 tão perfeito, que só nos damos conta de que faz tanto tempo, quando vemos as coisas “obsoletas” ou ultrapassadas na tela.

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É inevitável a comparação com o clássico “Todos os Homens do Presidente”, e Tom não nega a influencia. E nem precisa. É sóbrio nas escolhas da direção e soube abrilhantar o elenco peso pesado que tinha em mãos. Como uma orquestra afinadíssima, Michael Keaton, Rachael MacAdams, Liev Schreiber, Stanley Tucci e Billy Crudup fazem uma festa de interpretação de encher os olhos. Eles vestiam de jornalistas tão realisticamente que foi impressionante. Mark Ruffalo é um caso a parte. Seu jornalista apaixonado é outra excelente atuação cheia de vida e que lhe rendem criticas merecidas. Além das indicações nas maiores premiações.

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Com uma opção simples para construção dos enquadramentos e movimentos de câmera, Tom grita em alto e bom som a verve de seu filme: MENOS É SEMPRE MAIS. Menos firulas, Mais História. Menos efeitos desnecessários, Mais Brilhantes atuações. E por ai vai. Mas nem por isso temos uma fotografia ruim. Pelo contrário. A cor impressa na imagem tem um leve desbotar, como se, o frio de Boston tocasse a tela. Ou a perda da inocência de milhares de crianças que foram molestadas, desfalecesse a cor da imagem. É sutil. Mas é lindo.

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No fim, temos um filme sobre os homens, seus pecados e o castigo.

ESTA É UMA TERRA DE LOBOS

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OPINIÃO

 

POR CAROLINE ARAÚJO

 

 

A arquitetura dramática de um filme deriva do tom de direção. Dennis Villeneuve, vem gradualmente ganhando espaço na safra de diretores contemporâneos que sabem exatamente a tensão a qual desejam levar seus espectadores. Sua fama tem lógica comprovada. Basta assistir “Incendios”, indicado aos Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011 ( eu revejo as cenas desse filme vez ou outra na mente) e “Os Suspeitos” com Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal.

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Dennis não foge as suas origens ao assinar a direção de “SICARIO” (2015), realismo e ótimas atuações são armas na mão desse diretor para transformar a película num interessante filme sobre crime. Contudo, mesmo com a brilhante e enervante construção do clima tenso necessário à história, o roteiro do estreante Taylor Sheridan não corroborou para que o produto final tivesse um brilho esfuziante.

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Moralidade e ambiguidade são palavras de ordem para Dennis que as coloca como diretrizes nos planos fotográficos, produzindo imagens marcadas e crispadas do celebrado diretor de fotografia Roger Deakins. Dessa forma, sem que percebemos somos desestabilizados, incomodados, e tudo na mais perfeita intenção da direção.

A história nos trás a agente do FBI Kate Macer, incrivelmente interpretada por Emily Blunt. Macer é usada pela CIA como forma a legalizar as ações ilegais da agencia no território norte – americano na caçada perdigueira ao cartel mexicano que esta lavando a égua nas terras do tio San. Macer se encontra literalmente no meio de uma guerra de atrito, tanto CIA quanto Cartel usam terror e selvageria como tática para justificar seus fins; algo que vai totalmente ao oposto do que Kate acredita ser correto. Nessa teia maquiavélica, os fins estão sempre justificando os meios, e assim, temos o núcleo de toda tensão fílmica.

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Contudo, vale ressaltar que “SICARIO” esbarra num ponto. A superficialidade das ações. Dennis trabalha habilmente como lhe é corriqueiro a imersão do espectador dentro desse ambiente tenso de crimes, nos coloca como baratas tonas tais quais a agente Macer por ir dando “pistas” do que esta acontecendo e do que pode acontecer e isso nos prende, até um momento. Porque ficamos empatados numa questão de entender melhor. Ninguém curte ficar as cegas. E quando chegamos no derradeiro desvelar, percebemos que todos os dispositivos trabalhados nos levam a falta de profundidade do texto, onde temos mexicanos retratados como capangas, tais quais filmes genéricos de ação executam.

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E a questão dos abusos de poder cometidos pelo americanos para justificar suas ações de limpeza da criminalidade soa de forma sarcástica na interpretação – ótima vale ressaltar – de Josh Brolin como líder desse esquadrão de faxina.

Benício Del Toro chama atenção pela sorumbática interpretação. Um misto de mistério e tensão (sim tensão é palavra de ordem nesse filme) fazem com que seu personagem, Alejandro, conduza a investigação por parte do publico para esperarmos até o final onde é que aquilo que estamos assistindo vai chegar. Del Toro como sempre tem um tom preciso. Na verdade, ao fim entendemos que ele é a personificação do SICARIO, por assim dizer. “Esta é uma terra de lobos” ele afirma. E ele é o super lobo.

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“SICARIO” é um bom filme, com certeza. Tecnicamente bem feito, bem interpretado e bem dirigido, entretanto; as falhas de roteiro fazem com que o filme, que tanto fala da dubiedade moral nos Estados Unidos, também assuma uma postura questionável perante o próprio universo que apresenta, como se ele próprio também tivesse algo a mascarar. Mas vale um bom balde de pipoca. =)

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Presente de natal para a geração de 30 anos. Entre no mundo de TRON.

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Opinião

por Caroline Araújo

Quando me coloquei no caminho do cinema, ao mesmo tempo, comecei a imaginar o passado. Lembrei de várias tardes prostrada na frete da TV assistindo sessão da tarde. Visualizei algumas madrugadas nas quais ficava sentada no banco da praçinha em frente a casa da avó na Vila Xavier em Araraquara – S.P, discutindo sobre filmes com meu tio André. Entoei algumas canções que fizeram parte da minha infância tão saudosa na década de oitenta.

Ao chegar ao cinema eu estava literalmente embalada para entrar naquela sala de projeções e deixar-me na atmosférica nostálgica regada por um trilha sonora que já dava pista no trilher.

TRON: The Legacy – TRON: O Legado” (2010) dirigido por Joseph Kosinsk é um sopro de nostalgia sobre algumas gerações criadas à sombra deixada pelo filme original “TRON” de 1982, cujo o cerne conceitual estava muito à frente de deu tempo quase três décadas atrás.

É impossível não ter comparação com o filme de oitenta. Mas falo isso no bom sentido. As luzes, as roubas emblemáticas, a trilha que simplesmente transcende o que foi os anos oitenta, a tênue linha limítrofe entre a virtualidade e o real, e claro Jeff Bridges. Rever Jeff tão novinho, mesmo que totalmente feito por computadores foi incrível.

TRON: O legado, passa exatamente 20 ano depois do sumiço misterioso de Kevin Flynn, o gênio da computação criador do jogo TRON que dá nome a saga de 82. Seu filho Sam (Garrett Heldlund sem carisma algum), cresce detendo a mesma genialidade do pai, porém regada a boas doses de improbabilidade administrativa, nunca tendo interesse em tocar a empresa deixada à ele pelo progenitor.

Depois que Allan, Fiel escudeiro e amigo de Flynn pai, procura Sam para novamente frisar que acredita que seu pai não morreu e lhe entregar a chave do famigerado fliperama que Kevin possuía; a trilha de pães de João e Maria levam Flynn filho direto para a GRID e o mundo virtual inteiramente criado por seu pai e no qual este ficara prisioneiro todo este tempo.

Desse ponto em questão, iniciamos uma viagem visual belíssima, muito bem dirigida, com uma direção de arte fantástica e estupidamente bem pensada, não negando em nada a origem de toda essa história nos idos anos oitenta. Pelo contrário , credito a Kosinsk a ótima jogada de simplesmente pegar o que fora feito em 1982 e melhorar no que tange a computação gráfica e brindar aos espectadores com cenas bacanérrimas de ação, como a corrida de motos de luz, ou as lutas com discos. Ual!

Os fãs de TRON não ficaram desapontados, mas ainda sim a saga original é superior a esta continuação. A Trilha de Daft Punk nos leva à um túnel sensorial atemporal incrível. Jeff Bridges é preciso. Sua aparição como Kevin sênior , cansado, conformado em partes com seu destino é madura.

O decorrer da história, a tentativa de Sam de voltar ao mundo real trazendo seu pai, e a forma como eles precisam agir para isso acontecer é o que move todo o restante da película. Não esquecendo claro, do personagem dinâmico à tira colo , a bela Olivia Wilde.

O Universo de TRON sempre foi uma história instigante, como se fosse uma mensagem do futuro para a geração pós verve psicodélica de 1970. As questões tecnológicas abordadas que pareciam impossíveis em 1982 hoje são realidades e usuais no dia a dia.

TRON: O legado é uma boa experiência sensorial, muito alinhada com as viagens propiciadas por alguns gamers. Você não percebe os 127 minutos de projeção voarem. Sem contar que o filme bebe MUITO em outra história Cult – STAR WARS – para amarrar algumas cenas.O final naquela ponte suspensa, entre criador e criatura foi muito Star wars. Somando à isso a roupa de Obbi Wan que Kevin Flynn usa.

Aos que puderem assistir o filme de 1982 antes de embarcarem nessa viagem oitentista, fica a dica. Aos que não, fica a certeza de que o filme agrada várias faixas etárias e grupos de amigos. E aos mais entoados no discutir questões filosóficas, boas dose de cafés da madrugada e discussões infinitas. Na verdade, eu queria mesmo era uma moto daquelas. Rs…

A Majestosidade da Imagem Movimento

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Temporada de Prêmiações

em cartaz por Caroline Araújo

Em alguns momentos somos obrigado a entrar numa espécie de “resguardo”; parar tudo, mudar rumos, e nos adaptar a novos desafios e obrigações que surgem. Foi exatamente isso que me aconteceu. O final da minha gestação e o nascimento de meu filho foram um tanto emocionalmente conturbados que levei praticamente 01 (um) ano para segurar as rédias da minha vida. E nesse turbilhão, infelizmente, alguns afazeres precisam parar. Esse um ano em que parei de praticar a escrita critica cinematográfica por mim tão apreciada foi difícil. Contudo, mais difícil era ordenar as coisas para retomar. Mas; como assim como nos filmes e nas placas tectônicas – as coisas entram nos eixos – eis me aqui ( eba!) para retomar esse canal que tanto estimo e prezo.

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“The Revenant – O Regresso (2015)” dirigido pelo ON TOP do momento o mexicano Alejandro González Iñárritu é uma experiencia de construção de imagem forte, visceral, contemplativa e ao mesmo tempo humanamente solitária. Sua câmera selvagem nos coloca homens que são projéteis desgovernados à mercê da hostilidade do clima, relevo, dos animais daquele confim do mundo onde o recorte narrativo se desenvolve. Mas, acima disso, eles estão a mercê dos animais – nativos ou dos homens (brancos ou índios) – que querem apenas uma coisa: Sobreviver.

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Iñárritu sempre buscou em seus trabalhos tecer uma atmosfera dramática onde pudesse versar sobre a força real de suas histórias. Seu percurso até este momento é claro. Entretanto, quando disse em uma das inúmeras entrevistas que vem dando que seu filme não é um faroeste ( o que muitos continuam a afirmar)  porque  segundo ele “o problema com gêneros é que eles vêm da palavra ‘genérico'”, Iñárritu  deixou evidente o que norteia seu cinema: a crença numa experiência transcendental não como uma consequência dos filmes mas como um ponto de partida. Ai tudo faz mais sentido.

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Trabalhando com o premiadíssimo e competente diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, a figurinista Jacqueline West e o desenhista de produção Jack Fisk – Iñárritu permite produzir um trabalho filosófico sobre a construção da imagem movimento (Deleuze) no mesmo viés que Terrence Malick vem escrevendo sua filmografia nas ultimas décadas. Alias, Emmanuel, West e Fisk são braços direito de Malick em seus filmes, o que atesta ainda mais essa ligação cognitiva.

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A questão é, faroeste ou não, temos um filme cru, primitivo e natural. E mesmo com uma mão pesada na direção – são 156 minutos que poderiam ter sido cortados antes – temos dois pontos altos que fazem “The Revenant” ter todo esse lusco fusco sulfúrico borbulhante que explode aos olhos do espectador: o elenco e Emmanuel.

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Lubezki faz um trabalho com tanta maestria que a beleza estética é algo a parte nesse filme. Totalmente feito com luz natural ( sim, pasmem), temos uma definição de imagem absurdas, captadas com perfeição onde Emmanuel vai ao limite. Os quadros (planos) compostos são cheios de significado. A grande angular engole a todo instante quem assisti. A densidade da natureza, florestas inundadas, barreiras naturais que o homem se lançou (e lança) a ultrapassar. A desolação da solidão de grandes paisagens. Ela , ali, pura e simples tão mais grandiose que qualquer homem jamais será. O tempo inteiro temos os personagens no execrável exercício de olho por olho entre si, mas na verdade, eles são levados ao extreme de seus instintos primitivos porque a natureza selvagem os testa. Os perturba.

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O Elenco. Bem, Tom “Monstro” Hardy desponta cada vez mais como um ator de alto nível – está nos dois melhores filmes comerciais do ano, coadjuvante em ambos, é verdade, mas não menos marcante -, dono de uma voz inconfundível e um olhar que sempre fala muito mais do que pode parecer a primeira vista e sem ele Leonardo “Monstro”Di Caprio não teria o personagem dinâmico para ativar sua absurdamente visceral interpretação.

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Desde sua nomeação em variados prêmios, esta como o mais cotado a levar para casa o careca dourado de melhor ator este ano. Merece. Merece ha muitos outros papéis atrás, contudo; a entrega na qual se jogou em “The Revenant” é algo tão dolorido, quanto lindo de se assistir. E é isso que sentimos no plano final. Dor. A dor da sua alma.

Iñárritu acerta. Uma vez mais. E o Cinema agradece.

Ah! Sim, e o Urso? O que foi aquilo????

#Valecadapipoca =)

O Inglês da vez

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Temporada de Prêmios

Opinião

Por Caroline Araújo

 

Como é de praxe, cinebiografias sempre chegam vistas com bons olhos na temporada de premiações, em especial se o apuro técnico, firmeza de direção possuem assim, uma pontualidade britânica.

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“The Imitation Game – O Jogo da Imitação”(2014), dirigido pelo norueguês Morten Tyldum, detém uma linha de produção nórdica impecável, recriando cenários, figurinos e objetos de cena de época de forma absurdamente verossímil, chegando a usar máquinas originais da Segunda Guerra e inclusive optar por filmar em alguns locais onde os fatos reais aconteceram para garantir uma arquitetura visual e a imersão do espectador na história contada de forma mais fidedigna possível.

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Trata-se da história de um gênio cientista britânico que não teve a vida fácil, Alan Turing interpretado por Benedict Cumberbatch de maneira brilhante, transformando seu famoso vozeirão agudo, em algo gaguejante e desconcertante, imprimindo a internalização das aflições de um homem obcecado por seu trabalho.

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Turing é considerado o pai da computação, e a história da sua invenção, onde liderou uma equipe de brilhantes criptógrafos que corriam contra o relógio para decifrar o inquebrável código nazista, ja foi de certa forma contada algumas vezes no cinema. Porém, nunca houve de fato foco na sua vida pessoal: Sua sexualidade.

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Esse poderia ter sido o plot point mais ousado do filme de Tyldum, mas que talvez por uma hesitação nórdica, preferiu, pincelar, ao invés de aprofundar. Pena. Turing era socialmente deficiente, mesmo sendo dono de uma das mentes mais brilhantes do século 20. Viveu oprimido e oprimindo um segredo que acabou lhe custando a vida, sua homossexualidade que até então era proibida por lei na Inglaterra daquela época. Esse era o ponto nevrálgico e a cereja desse bolo que passou meio sem açúcar nas escolhas da direção.

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Para ambientar o espectador, o roteiro usa e abusa de artifícios como flashbacks da juventude de Turing, cenas apresentadas fora de ordem cronológica e frames de batalhas da Segunda Guerra e das invasões nazistas. E é através disso que conseguimos entender todo o background do matemático. O que está entre os muros que separam um homem comum de um prodígio? A mente de Turing trabalha só, mas com engrenagens fantásticas. Percebemos isso nas nuances criadas por Benedict que veste a roupa do matemático de maneira inspiradora.

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Trata-se de uma história real, feita de forma firme e meticulosa (até de mais), resultando num belo filme, com boas e inspiradas atuações, mas que, até mesmo para os padrões atuais de ousadia, se manteve muito cauteloso.

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Pense que em tempos de ódio extremado, cura gay e preconceitos tão arraigados nessa sociedade moderna, se você tem hoje a oportunidade de usar um pc, smarthphone, tablete e etc, grande parte, deve-se a esse cara. Que, era Gay. E quantos como ele sofreram, ou sofrem por conta do preconceito. Somente em 2013 a rainha perdoou publicamente a condenação de Turing. Perdoou.

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É irônico, porque foi exatamente ele que ajudou a encurtar a guerra em 2 anos, salvando mais de 14 milhões de pessoas, mas foi tido como indecoroso por uma opção pessoal. Pena. Pena. Este era um filme e uma história que MERECIA ( e tinha tudo) para ter ido além. As vezes a tal disciplina nórdica atrapalha um pouquinho. Merece todas as indicações, e principalmente merece ser visto. Cinematografia obrigatória aos cinéfilos de plantão.

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O INDEPENDENTE DA VEZ

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TEMPORADA DE PREMIOS

OPINIÃO

POR Caroline Araújo

Como de costume, quando a temporada de premiação americana de ciências cinematográficas começa, entre super produções, azarões e gêneros diferenciados temos sempre um filme independente no páreo. Grande vencedor do Festival de Sundance em 2014, temos um longa que encantará os apaixonados por música ao mesmo tempo que asfixiará os amantes de cinema.

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“WHIPLASH – em Busca da Perfeição” (2014) dirigido e escrito por Damien Chazelle levanta uma discussão interessante, qual é o ponto máximo que se deve submeter-se a pressões e condições degradantes de aprendizado ou esforço para se conseguir algo que se almeja? Qual o limite? Existe Limite?

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“WHIPLASH” é um olhar eletrizante e agressivo sobre o que é preciso para forjar um verdadeiro mestre em sua arte. Acompanhamos a história do jovem Andrew Neyman (MilesTeller) aluno de um consagrado conservatório americano, cujo foco é se tornar uma lenda da musica no instrumento de sua paixão: Bateria. Dedicado, ele v6e a possibilidade desse sonho tornar-se real quando o famoso professor Terence Flecher (J.K.Simmons) o chama para uma audição e permite que ele passe a integrar a banda principal do conservatório.

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“WHIPLASH”  transita entre os dois personagens e suas trocas furiosas quase o tempo todo. Há poucos respiros, pausas ou momentos de leveza na obsessão dos dois homens, que aos poucos asfixia quem assisti. Somos levados ao aumento do batimento cardíaco quase que os 109 minutos de duração.

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Fletcher é um sujeito truculento, com ataques pessoais aos alunos, criando um sistema de ensino motivacional degradante que nos remete instantaneamente aos insultos do Sargento Hartman de R. Lee Ermey do Clássico “Nascido para matar” ou até mesmo pela paixão do ensino da musica, ser comparado a um Richard Dreyfuss só que versão infernal do “Adorável Professor”. Simmons nos dá um Fletcher feroz, intempestivo e extremista. Brilhantemente contrapondo com um Neyman introspectivo e extremamente reservado de suas emoções.

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Acontece aqui um ganho sensível na maneira de dirigir. Chazelle filma com certa economia, movimentos de câmera “classudos” (referencia 80`s bacanuda); fotografia na medida com alguns planos fechados que geram certa claustrofobia (proposital logicamente), direção de arte enxuta, elenco de apoio focado e pequeno, contudo; uma voracidade de montagem e uma trilha sonora extraordinária transformando “WHIPLASH” em um filme para se ver e ouvir intensamente.

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Absolutamente um “azarão” que corre por fora na disputa oscarizada de fevereiro, mas um daqueles filmes que você sai mexido, por ser extremamente simples de ideia e perfeitamente executado. Aos amigos músicos, principalmente os bateristas, videografia obrigatória.

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