O Cinema catástrofe nunca sai da moda

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Opinião

Por Caroline Araújo

Geralmente quando nos deparamos entrando num cinema para assistir a um filme cujo cerne dramático da história seja baseado em histórias reais é quase uma faca de dois gumes. OU naufraga em clichês desnecessários ou dá muito certo mais do que qualquer ficção. Ao sair da sala após a exibição do novo filme do diretor espanhol Juan Atonio Bayona, um pot-pourri de impressões começavam a dar coro a um silencio que vinha na algibeira.

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“The Impossible – O Impossível” (2012) trabalha a história de uma família espanhola, um casal e seus 3 filhos homens,  financeiramente estável que resolve passar as férias e festas de final de ano de 2004 numa praia paradisíaca da costa da Tailândia. Acontece que, tchan tchã ran ran, um tsunami abate-se sobre toda a costa asiática logo após o Natal, devastando tudo e mais um pouco e principalmente separando essa família.

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Na história, o casal em questão é protagonizado por Ewan McGregor e Naomi Watts, rostos conhecidos e que garantem publico, e nos brindam com atuações competentes. Watts se sobressai imensamente na pela da mãe e médica Maria,o roteiro neste caso permitiu que ela pudesse adensar a personagem. E Juan soube extrair da atriz um ótimo trabalho.

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“The Impossible” é um filme duro, com imagens duras. A direção  traz até você, ou melhor, leva você através de cenas de grande impacto visual, que vão provocar as mais diversas reações no público. Incomodar, principalmente.  Algumas vão até chocar pelo leve flerte com o cinema trash, porém, elas são interessantíssimas na construção da narrativa que tenta “fisgar” e manter o espectador dentro daquele universo de águas barrentas, terras devastadas e famílias despedaçadas.

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Tecnicamente o filme esta preciso. Excelente som, ótima fotografia e enquadramento que nos colocam dentro de varias imagens. Bom trabalho de atores, as crianças são ótimas, não podemos esquecer. Contudo, a ligação de tudo, com a intenção marcadíssima de fazer o publico verter lágrimas, é muito caricata e força passagem do liquido lacrimal. Confesso, chorei em uns pontos, mas era Impossible, ficar out. Talvez, se Bayona, não tivesse optado por essa linha sentimental por demais e deixado com que a dureza das cenas criasse por si a atmosfera, o arco dramático trabalhado seria muito mais real, e muito mais latente, inclusive acentuando o poder da própria história.

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De qualquer forma, temos um filme catástrofe que não foi feito no eixo EUA (Viva), com bons efeitos, enredo e atuações. Uma boa equação, com algumas gorduras que faz perder um pouco a força. Contudo, vale sim, o ingresso. Boa sessão.

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Sempre iniciantes

Opinião

Por Caroline Araújo

È assim que o amor nos faz sentir. Iniciantes. Muitas vezes, angustiados, aflitos, amedrontados. Ou tudo isso junto de uma vez. Acontece que não existe uma maneira centralista de ter controle de tudo para que as nossas escolhas e decisões sejam perfeitamente as que queremos, ou as que combinadas com o destino e o acaso supostamente seja aquilo que queremos.

Na verdade, o viver nos faz ser como locomotivas, sempre entre os trilhos e dormentes quentes, vibrando entre linhas paralelas que convergem em algum lugar no horizonte, que deve ser infinito, e a nós, locomotiva, cabe continuar a locomover como se isso nos fizesse encontrar perguntas e respostas e acima disso, conforto, no segundo seguinte que se chama futuro.

“Beginners – Todas as Formas de Amor”(2011) dirigido e roterizado por Mike Mills, consegue reunir 4 atores fantásticos – Ewan McGregor, no papel de Oliver Fields, um designer gráfico , incrível Christopher Plummer que interpreta o pai de Oliver – Hal, Mélanie Laurent que dá vida a Anna e Arthur o ator canino, claro!

Trabalhando a estória em dois tempos, antes e após a morte de Hal, de maneira simples e organizadora de puzzles, Mike segue desenhando imageticamente os desdobramentos dos relacionamentos, simples e cotidianamente. Assim como um dos ícones românticos do fim dos anos 90 “Antes do Sol nascer”, temos um americano e uma francesa que ao acaso, deixam-se encantar nas lagunas tristes que cada qual carrega em seus olhos perjuros.

Mas o trunfo real é Plummer que venceu o Oscar deste ano por essa atuação. Inspirado, leve, e ao mesmo tempo de uma densidade profunda. Após 40 anos de casado, aos 75 anos de idade, assumi ao filho e ao mundo ser gay. Não temos estigmas, muito menos bandeiras, Mike não faz defesa de situações. Apenas mostra, fatos e ligações, e o que, certas escolhas, empurradas por medos e pressões nos causam, e principalmente naqueles que nos circundam.

Bonito, tocante e fresco como borbulhas de champagne que explodem da mesma forma que fogos de artificio. Alias as imagens dos fogos, pontuais, são plásticas na efemeridade das memórias que elas emolduram dentro da vida de Oliver e Hal.

Uma preciosidade cinematográfica irretocável mesmo sendo um tanto lento em determinadas sequencia. Contudo, ele reflete exatamente a frase que utiliza no cartaz “This is What Love feels like” e na grande maioria de nós, também: Iniciantes. Sempre. Boa Sessão.